Angelique e suas Facetas

A história de Angelique e suas muitas facetas...

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A promessa de Judy



Após tomar a decisão de voltar a frequentar as missas da paróquia do bairro, Judy não havia conseguido ir duas semanas seguidas. A bruxa se sentia em débito com a própria promessa.


Sim, seus Deuses não precisavam de missas em locais previamente escolhidos, todos os locais eram o templo deles. Mas, havia algo na mística da igreja que chamava a atenção dela. Parece que o 'silêncio' que se fazia na igreja a ajudava a pensar mais.


Infelizmente, o padre havia mudado, logo a paz da igreja fora perturbada. Não havia mais silêncio e sim um buchicho terrível que fazia ela não querer frequentar a missa fosse qualquer a hora. Mas não podia faltar com sua promessa.


Judy não era de fazer promessa aos Deuses e Deusas, nunca fora boa com promessas ou essas coisas; ela preferia chegar lá e fazer, sem prometer. Mas, prometeu a ele mesma que iria tirar um dia para ficar em silêncio durante dois meses para pensar.


Não cumpriu com a promessa, agora bruxa poderosa teria que se acertar com os Deuses e Deusas...

Mais uma missa...


Judy não se sentia bem. Estava lá, no banco da igreja, hoje, um pouco mais cheia. Em sua mão estava um pedaço de papel higiênico molhado por suas lágrimas... Judy não estava bem, estava com dor... Uma dor que vinha de dentro do peito, mas ela não sabia a origem, ou até sabia mas se enganava.

Cada nota do hino da Igreja fazia com que ela enchesse os olhos de lágrimas. Ele dizia:
Tu te abeiraste na praia. Não buscaste nem sábios, nem ricos. Somente queres que eu te sigas...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.
Tu sabes bem que em meu barco, eu não tenho nem ouro, nem espadas, somente redes e meu trabalho...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.
Tu, minhas mãos solicitas, meu cansaço, que a outros descansem, amor que almeja seguir amando...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.
Tu, pescador de outros lagos, ânsia eterna de almas que esperam, bondoso amigo, assim me chamas...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.

Ela chorava por algo ou alguém... A bruxa poderosa havia se dobrado de dor, a bruxa forte estava fraca. Parecia que havia perdido os poderes por alguns intantes... Havia tirado sua pedra a uma semana e a uma semana as coisas não estavam dando certo... Poderia ter alguma ligação... Ou não.

Não queria chorar perante a sua mãe, isso iria preocupa-lá e não queria isso. Já estava preocupando bastante suas amigas, elas estavam mostrando que eram realmente amigas, e elas estavam tentando fazer com que ela ficasse bem e ela visse que não valia a pena tudo aquilo.

Ela olhava as novas cicatrizes adquiridas na manhã da quarta ou quinta, ela não sabia, estava tudo igual... Havia se cortado, havia tanto tempo que não fazia isso que esquecera a sensação ruim que trazia.

As suas expectativas haviam se confirmado... A desgraça havia acontecido e ela ficou feliz pois a pessoa viu o quanto ela faz falta... Mas agora, ela estava só novamente...

Aquetai-vos e lembraí


No segundo banco da Igreja vazia se encontrava Judy. Não era de ir a missa, mas neste dia foi pois havia rido da desgraça de outra pessoa, desgraça essa que não foi confirmada e nem sabia se seria. Apesar de não se sentir má, foi mesmo assim, ela sabia que isso iria acontecer uma hora ou outra e que ela entraria na dança. Ela queria rir desdenhosamente, mesmo se aquilo não fosse verdade.

Ela controlava seu repentino bom humor, "devo ser a pior pessoa do mundo... Tô pouco me lixando, vou para o inferno mesmo" pensava enquando esperava a missa começar, conversava com suas tias que estavam junto a ela, falava coisas sobre o igreja onde estavam, mas volta e meia seu pensamento voltava a "desgraça" não confirmada. Infelizmente não podia dividir isso com ninguém, além de Deus, mas dividiu com uma amiga bruxa, assim como ela. O interessante era que ela havia comentado algo com seu melhor amigo naquela manhã, "o poder da palavra é impressionante" pensava.

A missa começou e ela aquetou-se, foi prestar atenção ao que o padre dizia e aos hinos entoados pelo coral desordenado. Sua mãe queria que ela fosse cantar também, mas Judy não ia cantar nem que a pagassem. O padre falava algumas coisas certas e outras que ela duvidava, mas, quem era ela, que ria de uma infelicidade aleia, para criticar?

Ela sentia que Deus queria mandar uma mensagem para ela. Todos os dias, enquanto voltava da faculdade, via um carro com a frase adesivada no seu vidro traseiro: "
Aqueitai-vos e sabeis que sou Deus"... Sempre, sempre, sempre... Era impressionante! E não era de hoje que ela se sentia observada por essa frase, ela havia desaparecido a uns tempos e voltado com toda força. Mas o que Deus queria dizer??

Uma música havia a trazido de volta a missa, ela dizia que não era nada e do pó havia nascido, mas Ele a ama e morreu por ela e diante da cruz ela só podia dizer que era Dele. Não entendia por qual razão isso havia chamado a atenção dela, mas desviava o pensamento dela para o fator que a levou a missa. Havia resolvido que, depois de aproximadamente quatro anos, voltaria a comungar, a receber o corpo de Deus... Ela queria isso e ficava feliz por Ele a aceita-lá mesmo sabendo que não era católica.

Judy era uma bruxa poderosa, e não sabia disso até aquele momento. Havia descoberto, por acaso, que podia "hipinotizar" alguém com os olhos, mesmo que fosse via uma webcam e que conquistava todos com um sorriso. Também havia descoberto que estava cercada de pessoas que gostavam dela, viu quando havia passado mal e ficado na sala de repouso do ambulatório da faculdade.

Acabou a missa e ela voltou para casa e junto voltou o pensamento. Quando viu novamente aquilo que a deixou rindo que nem uma louca com um pequeno acréscimo, que ela não acreditava, queria rir mais. Para ela, aquilo soava como uma grande piada, agora seria só um passo para a continuação do plano dela. Plano assim por falar, pois ele não existia.

Algo dizia a poderosa Judy que ela receberia uma ligação ainda naquela semana... E ela iria, quem sabe, confirmar aquilo que ela riu hoje...