Angelique e suas Facetas

A história de Angelique e suas muitas facetas...

Então é Natal...


Época de festas chegando e eu peço licença aos meus personagens pra fazer um artigo dedicado a essa data.

Se não me engano, essa é a primeira vez que venho aqui para falar como Amanda Morgenstern e não como uma personagem. Este ano pra mim foi complicado, difícil e amargo, mas esse e meu outro blog e meus amigos me ajudaram a superar.

Quero que o ano de vocês, meus seguidores ou não, seja tão maravilhoso quanto esperam, que ele seja delicioso como um sorvete de chocolate com menta ou um beijo apaixonado. Que seja tão brilhante quanto milheres de fogos de artifício coloridos estourando no céu noturno. Que seja puro como o sorriso de uma criança, que não existam brigas sérias, que tudo seja pleno e que tenham a paz de uma criança dormindo.

Sim, meus nobres leitores, andei sumida e sumirei um pouco mais. Minha vida, como disse antes, esse ano não foi tão simples como eu imaginava, mas, ela me propocionou conhecer pessoas maravilhosas e reconhecer as maravilhosas que estavam adormecidas. Também me mostrou como algumas pessoas te dão as costas e mesmo assim você continua a gostar delas. Mostrou que posso morrer e renascer, como uma fênix, como Cristo...

Esse é um tempo de paz, nada de se importar com presentes e bens materiais, é tempo de se preocupar como os pensamentos e emoções, tempo de se preocupar com o outro e de se preocupar com si mesmo. Oh meus leitores, como queria poder cuidar de todos vocês, assim como vocês cuidam de mim...

Desejo-lhes, mais uma vez, boas festas e muito amor, que aqueles que estão solteiros encontrem alguém e os que estão apaixonados que a paixão dure até o próximo Natal e assim sucessivamente...

A todos um ótimo Natal e um Ano Novo maravilhoso!

Clarice e seu alter-ego


Subindo as escadas da faculdade, Clarice pensava na má impressão que havia causado a um novo rapaz, apesar dele estar em outro estado, ele parecia bem interessante.
"Como todos que seguram um baixo perto de você, sua idiota!" dizia seu alter-ego fã de guitarra.
"Cala a boca sua peste!" retrucava Clarice.

Quatro andares de escada, lá estava ela, com sua bermuda de linho marrom, sua blusa roxa e seus óculos wayfeare azuis, sentada numa cadeira mínima, aguardando o início do exame a qual seria submetida. O que ela mais queria era está com uma blusinha e de calcinha na cama dela dormindo. Já que não podia fazer isso, contentava-se a olhar pelo janelão da sala, aquele céu azul com poucas nuvens.
"Nem o vi essa semana... Tô com saudades" pensou.
"Também estou, ele tem mãos maravlilhosas hehehe" dizia seu alter-ego com malícia. Nesse ponto, ela e ele concordavam bem.

Começa o exame, começa a tortura... Só poderia levar o caderno após quatro horas de prova, ela terminaria em 2 no máximo e iria cozinhar lá durante o resto do tempo. Começou a prova, depois de preencher tudo... Depois de alguns minutos sentiu algo quente no meio de suas pernas,, ao olhar entrou em desespero, aquela mancha de sangue... Depois acalmou-se.
"Graças a Deus, não estou grávida" suspirou aliviada.
"Pelo menos, se estivesse, o pai seria ele." disse o alter-ego.
"Agora é só não me mexer muito, se não a mancha aumenta" falou Clarice.
"Quem manda não andar com um absorvente na bolsa, sua estúpida" xingava o alter-ego.
"Vai se fuder, pelo menos o tratamento deu certo" retrucava e colocava um ponto final.

Terminado o exame, Clarice colocava o caderno de provas estratégicamente para que ninguém notasse que estava com a bermuda manchada. Desceu as escadas, odiava elevadores.
"Vai manchar mais... Num digo nada" falava o alter-ego.
"Me erra, porra" retrucava.

Ao chegar no carro, o seu pai a olhava e pediu que guardasse uma coisa pra ele, quando ela viu era uma camera nova...
"Uma camera só minha!" vibrava Clarice.
"Fotos pornôs!!!" cutucava o alter-ego
"Foda-se!!!" dizia ela.

Chegando em casa, tomou banho, almoçou e foi dormir. Amanhã seria outro dia...

A Bela e a Fera ou A Ferida Grande Demais

Bem, então saiu do salão de beleza pelo elevador do Copacabana Palace Hotel. O chofer não estava lá. Olhou o relógio: eram quatro horas da tarde. E de repente lembrou-se: tinha dito a "seu" José para vir buscá-la às cinco, não calculando que não faria as unhas dos pés e das mãos, só a massagem. Que devia fazer? Tomar um táxi? Mas tinha consigo uma nota de quinhentos cruzeiros e o homem do táxi não teria troco. Trouxera dinheiro porque o marido lhe dissera que nunca se deve andar sem nenhum dinheiro. Ocorreu-lhe voltar ao salão de beleza e pedir dinheiro. Mas - mas era uma tarde de maio e o ar fresco era uma flor aberta com o seu perfume. Assim achou que era maravilhoso e inusitado ficar de pé na rua - ao vento que mexia com os seus cabelos. Não se lembrava quando fora a última vez que estava sozinha consigo mesma. Talvez nunca. Sempre era ela - com outros, e nesses outros ela se refletia e os outros refletiam-se nela. Nada era – era puro, pensou sem se entender. Quando se viu no espelho – a pele trigueira pelos banhos de sol faziam ressaltar as flores douradas perto do rosto nos cabelos negros – conteve-se para não exclamar um “ah!” – pois ela era cinqüenta milhões de unidades de gente linda. Nunca houve – em todo o passado do mundo – alguém que fosse como ela. E, depois, em três trilhões de trilhões de ano – não haveria uma moça exatamente como ela.
“Eu sou uma chama acesa! E rebrilho e rebrilho toda essa escuridão!”
Este momento era único – e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos. Até suou frio na testa, por tanto lhe ser dado e por ela avidamente tomado.
“A beleza pode levar à espécie de loucura que é a paixão.” Pensou: “estou casada, tenho três filhos, estou segura.”
Ela tinha um nome a preservar: era Carla de Sousa e Santos. Eram importantes o “de” e o “e”: marcavam classe e quatrocentos anos de carioca. Vivia nas manadas de mulheres e homens que, sim, que simplesmente “podiam”. Podiam o quê? Ora, simplesmente podiam. E ainda por cima, viscosos pois que o “podia” deles era bem oleado nas máquinas que corriam sem barulho de metal ferrugento. Ela, que era uma potência. Uma geração de energia elétrica. Ela, que para descansar usava os vinhedos do seu sítio. Possuía tradições podres mas de pé. E como não havia nenhum novo critério para sustentar as vagas e grandes esperanças, a pesada tradição ainda vigorava. Tradição de quê? De nada, se se quisesse apurar. Tinha a seu favor apenas o fato de que os habitantes tinham uma longa linhagem atrás de si, o que, apesar de linhagem plebéia, bastava para lhes dar uma certa pose de dignidade.
Pensou assim, toda enovelada: “Ela que, sendo mulher, o que lhe parecia engraçado ser ou não ser, sabia que se fosse homem, naturalmente seria banqueiro, coisa normal que acontece entre os “dela”, isto é, de sua classe social, à qual o marido, porém, alcançara com muito trabalho e que o classificava de “self made man” enquanto ela não era uma “self made woman”. No fim do longo pensamento, pareceu-lhe que – que não pensara em nada.
Um homem sem uma perna, agarrando-se numa muleta, parou diante dela e disse:
- Moça, me dá um dinheiro para eu comer?
“Socorro!!!” gritou-se para si mesma ao ver a enorme ferida na perna do homem. “Socorre-me, Deus”, disse baixinho.
Estava exposta àquele homem. Estava completamente exposta. Se tivesse marcado com “seu” José na saída da Avenida Atlântica, o hotel que ficava o cabeleireiro não permitiria que “essa gente” se aproximasse. Mas na Avenida Copacabana tudo era possível: pessoas de toda a espécie. Pelo menos de espécie diferente da dela. “Da dela?” “Que espécie de ela era para ser ‘da dela’?” Ela – os outros. Mas, mas a morte não nos separa, pensou de repente e seu rosto tomou ar de uma máscara de beleza e não beleza de gente: sua cara por um momento se endureceu.
Pensamento do mendigo: “essa dona de cara pintada com estrelinhas douradas na testa, ou não me dá ou me dá muito pouco”. O correu-lhe então, um pouco cansado: “ou dá quase nada”.
Ela espantada: como praticamente não andava na rua – era de carro de porta à porta – chegou a pensar: ele vai me matar? Estava atarantada e perguntou:
- Quanto é que se costuma dar?
- O que a pessoa pode dar e quer dar - respondeu o mendigo espantadíssimo.
Ela, que não pagava o salão de beleza, o gerente deste mandava cada mês sua conta para a secretária do marido. “Marido”. Ela pensou: o marido o que faria com o mendigo? Sabia que: nada. Eles não fazem nada. E ela – ela era “eles” também. Tudo o que pode dar? Podia dar o banco do marido, poderia lhe dar seu apartamento, sua casa de campo, suas jóias...
Mas alguma coisa que era uma avareza de todo o mundo, perguntou:
- Quinhentos cruzeiros basta? É só o que eu tenho.
O mendigo olhou-a espantado.
- Está rindo de mim, moça?
- Eu?? Não estou não, eu tenho mesmo os quinhentos na bolsa...
Abriu-a, tirou-lhe a nota e estendeu-a humildemente ao homem, quase lhe pedindo desculpas.
O homem perplexo.
E depois rindo, mostrando as gengivas quase vazias:
- Olhe – disse ele -, ou a senhora é muito boa ou não está bem da cabeça... Mas, aceito, não vá dizer depois que roubei, ninguém vai me acreditar. Era melhor me dar trocado.
- Eu não tenho trocado, só tenho essa nota de quinhentos.
O homem pareceu assustar-se, disse qualquer coisa quase incompreensível por causa da má dicção de poucos dentes.
Enquanto isso a cabeça dele pensava: comida, comida, comida boa, dinheiro, dinheiro.
A cabeça dela era cheia de festas, festas, festas. Festejando o quê? Festejando a ferida alheia? Uma coisa os unia: ambos tinham uma vocação por dinheiro. O mendigo gastava tudo o que tinha, enquanto o marido de Carla, banqueiro, colecionava dinheiro. O ganha-pão era a Bolsa de Valores, e inflação, e lucro. O ganha-pão do mendigo era a redonda ferida aberta. E ainda por cima, devia ter medo de ficar curado, adivinhou ela, porque, se ficasse bom, não teria o que comer, isso Carla sabia: “quem não tem bom emprego depois de certa idade...” Se fosse moço, poderia ser pintor de paredes. Como não era, investia na ferida grande em carne viva e purulenta. Não, a vida não era bonita.
Ela se encostou na parede e resolveu deliberadamente pensar. Era diferente porque não tinha o hábito e ela não sabia que pensamento era visão e compreensão e que ninguém podia se intimar assim: pense!
Bem. Mas acontece que resolver era um obstáculo. Pôs-se então a olhar para dentro de si e realmente começaram a acontecer. Só que tinha os pensamentos mais tolos. Assim: esse mendigo sabe inglês? Esse mendigo já comeu caviar, bebendo champanhe? Eram pensamentos tolos porque claramente sabia que o mendigo não sabia inglês, nem experimentara caviar e champanhe. Mas não pôde se impedir de ver nascer em si mais um pensamento absurdo: ele já fez esportes de inverno na Suíça?
Desesperou-se então. Desesperou-se tanto que lhe veio o pensamento feito de duas palavras apenas “Justiça Social”.
Que morram todos os ricos! Seria a solução, pensou alegre. Mas – quem daria dinheiro aos pobres?
De repente – de repente tudo parou. Os ônibus pararam, os carros pararam, os relógios pararam, as pessoas na rua imobilizaram-se – só seu coração batia, e para quê?
Viu que não sabia gerir o mundo. Era uma incapaz, com cabelos negros e unhas compridas e vermelhas. Ela era isso: como uma fotografia colorida fora de foco. Fazia todos os dias a lista do que precisava ou queria fazer no dia seguinte – era desse modo que se ligara ao tempo vazio. Simplesmente ela não tinha o que fazer. Faziam tudo por ela. Até mesmo os dois filhos – pois bem, fora o marido que determinara que teriam dois...
“Tem-se que fazer força para vencer na vida”, dissera-lhe o avô morto. Seria ela, por acaso, “vencedora”? Se vencer fosse estar em plena tarde clara na rua, a cara lambuzada de maquilagem e lantejoulas douradas... Isso era vencer? Que paciência tinha que ter consigo mesma. Que paciência tinha que ter para salvar a sua própria vida. Salvar de quê? Do julgamento? Mas quem julgava? Sentiu a boca inteiramente seca e a garganta em fogo – exatamente como quando tinha que se submeter a exames escolares. E não havia água! Sabe o que é isso – não haver água?
Quis pensar em outra coisa e esquecer o difícil momento presente. Então lembrou-se de frases de um livro póstumo de Eça de Queirós que havia estudado no ginásio: “O lago de Tiberíade resplandeceu transparente, coberto de silêncio, mais azul que o céu, todo orlado de prados floridos, de densos vergeis, de rochas de pórfiro, e alvos terrenos por entre os palmares, sob o vôo das rolas.”
Sabia de cor porque, quando adolescente, era muito sensível a palavras e porque desejava para si mesma o destino de resplendor do lago de Tiberíade.
Teve uma vontade inesperadamente assassina: a de matar todos os mendigos do mundo! Somente para que ela, depois da matança, pudesse usufruir em paz seu extraordinário bem-estar.
Não. O mundo não sussurrava.
O mundo gri-ta-va!!! Pela boca desdentada desse homem.
A jovem senhora do banqueiro pensou que não ia suportar a falta de maciez que se lhe jogavam no rosto tão maquilado.
E A festa? Como diria na festa, quando dançasse, como diria ao parceiro que a teria entre os braços... O seguinte: olhe, o mendigo também tem sexo, disse que tinha onze filhos. Ele não vai a reuniões sociais, ele não sai nas colunas do Ibrahim, ou do Zózimo, ele tem fome de pão e não de bolos, ele na verdade só quer comer mingau pois não tem dentes para mastigar carne... “Carne?” Lembrou-se vagamente que a cozinheira dissera que o “filet mignon” subira de preço. Sim. Como poderia ela dançar? Só se fosse uma dança doida e macabra de mendigos.
Não, ela não era mulher de ter chiliques e fricotes e ir desmaiar ou se sentir mal. Como algumas de suas “coleguinhas” de sociedade. Sorriu um pouco ao pensar em termos de “coleguinhas”. Colegas em quê? Em se vestir bem? Em dar jantares para trinta, quarenta pessoas?
Ela mesma aproveitando o jardim no verão que se extinguia dera uma recepção para quantos convidados? Não, não queria pensar nisso, lembrou-se (por que sem o mesmo prazer?) das mesas espalhadas sobre a relva, a luz de vela... “luz de vela”? pensou, mas eu estou doida? Eu caí num esquema? Num esquema de gente rica?
“Antes de casar era de classe média, secretária do banqueiro com quem se casara agora e agora – agora luz de velas. Estou é brincando de viver, pensou, a vida não é isso.”
“A beleza pode ser de uma grande ameaça.” A extrema graça se confundiu com uma perplexidade e uma funda melancolia. “A beleza assusta”. “Se eu não fosse tão bonita teria tido outro destino”, pensou ajeitando as flores douradas sobre os negríssimos cabelos.
Ela uma vez vira uma amiga inteiramente de coração torcido e doído e doido de forte paixão. Então não quisera nunca experimentar. Sempre tivera medo das coisas belas demais ou horríveis demais: é que não sabia em si como responder-lhes e se responderia se fosse igualmente bela ou igualmente horrível.
Estava assustada quando vira o sorriso de Mona Lisa, ali, à sua mão no Louvre. Como se assustara com o homem da ferida ou com a ferida do homem.
Teve vontade de gritar para o mundo: “Eu não sou ruim! Sou um produto nem sei de quê, como saber dessa miséria de alma.”
Para mudar de sentimento – pois que ela não os agüentava e já tinha vontade de, por desespero, dar um pontapé violento na ferida do mendigo -, para mudar de sentimentos pensou: este é o meu segundo casamento, isto é, o marido anterior estava vivo.
Agora entendia por que se casara da primeira vez e estava em leilão: quem dá mais? Quem dá mais? Então está vendida. Sim, casara-se pela primeira vez com o homem que “dava mais”, ela o aceitara porque ele era rico e era um pouco acima dela em nível social. Vendera-se. E o segundo marido? Seu casamento estava findando, ele com duas amantes... e ela tudo suportando porque um rompimento seria escandaloso: seu nome era por demais citado nas colunas sociais. E voltaria ela a seu nome de solteira? Até habituar-se ao seu nome de solteira, ia demorar muito. Aliás, pensou rindo de si mesma, aliás, ela aceitava este segundo porque ele lhe dava grande prestígio. Vendera-se às colunas sociais? Sim. Descobria isso agora. Se houvesse para ela um terceiro casamento – pois era bonita e rica -, se houvesse, com quem se casaria? Começou a rir um pouco histericamente porque pensara: o terceiro marido era o mendigo.
De repente perguntou ao mendigo:
- O senhor fala inglês?
O homem nem sequer sabia o que ela lhe perguntara. Mas, obrigado a responder pois a mulher já o comprara-o com tanto dinheiro, saiu pela evasiva.
- Falo sim. Pois não estou falando agora mesmo com a senhora? Por quê? A senhora é surda? Então vou gritar: FALO.
Espantada pelos enormes gritos do homem, começou a suar frio. Tomava plena consciência de que até agora fingira que não havia os que passam fome, não falam nenhuma língua e que havia multidões anônimas mendigando para sobreviver. Ela soubera sim, mas desviara a cabeça e tampara os olhos. Todos, mas todos – sabem e fingem que não sabem. E mesmo que não fingissem iam ter um mal-estar. Como não teriam? Não, nem isso teriam.
Ela era... Afinal de contas quem era ela?
Sem comentários, sobretudo porque a pergunta não durou um átimo de segundo: pergunta e resposta não tinham sido pensamentos de cabeça, eram de corpo.
Eu sou o Diabo, pensou lembrando-se do que aprendera na infância. E o mendigo é Jesus. Mas – o que ele quer não é dinheiro, é amor, esse homem se perdeu na humanidade como eu também me perdi.
Quis forçar-se a entender o mundo e só conseguiu lembrar-se de fragmentos de frases ditas pelos amigos do marido: “essas usinas não serão suficientes”. Que usinas, santo Deus? as do Ministro Galhardo? teria ele usinas? A “energia elétrica... hidrelétrica”?
E a magia essencial de viver – onde estava agora? Em que canto do mundo? No homem sentado na esquina?
A mola do mundo é dinheiro? fez-se ela a pergunta. Mas quis fingir que não era. Sentiu-se tão, tão rica que teve um mal-estar.
Pensamento do mendigo: “Essa mulher é doida ou roubou o dinheiro porque milionária ela não pode ser”, milionária era para ele apenas uma palavra e mesmo se nessa mulher ele quisesse encarnar uma milionária não poderia porque: onde se viu milionária ficar parada de pé na rua, gente? Então pensou: ela é daquelas vagabundas que cobram caro de cada freguês e com certeza está cumprindo alguma promessa?
Depois.
Depois.
Silêncio.
Mas de repente aquele pensamento gritado:
- Como é que eu nunca descobri que sou também uma mendiga? Nunca pedi esmola mas mendigo o amor de meu marido que tem duas amantes, mendigo pelo amor de Deus que me achem bonita, alegre, aceitável, e minha roupa de alma está maltrapilha...
“Há coisas que nos igualam”, pensou procurando desesperadamente outro ponto de igualdade. Veio de repente a resposta: eram iguais porque haviam nascido e ambos morreriam. Eram, pois, irmãos.
Teve vontade de dizer: olhe, homem, eu também sou uma pobre coitada, a única diferença é que sou rica. Eu... pensou com ferocidade, eu estou perto de desmoralizar o dinheiro ameaçando o crédito do meu marido na praça. Estou prestes a, de um momento para o outro, me sentar no fio da calçada. Nascer foi a minha pior desgraça. Tendo já pagado esse maldito acontecimento, sinto-me com direito a tudo.
Tinha medo. Mas de repente deu o grande pulo de sua vida: corajosamente sentou-se no chão. “Vai ver que ela é comunista!” pensou meio a meio o mendigo. “E como comunista teria direito às suas jóias, seus apartamentos, sua riqueza e até os seus perfumes.”
Nunca mais seria a mesma pessoa. Não que jamais tivesse visto um mendigo. Mas – mesmo este era em hora errada, como levada de um empurrão e derramar por isso vinho tinto em branco vestido de renda. De repente sabia: esse mendigo era feito da mesma matéria que ela. Simplesmente isso. O “porquê” é que era diferente. No plano físico eles eram iguais. Quanto a ela, tinha uma cultura mediana, e ele não parecia saber de nada, nem quem era o Presidente do Brasil. Ela, porém, tinha uma capacidade aguda de compreender. Será que estivera até agora com a Inteligência embutida? Mas se ela já há pouco, que estivera em contato com uma ferida que pedia dinheiro para comer – passou a só pensar em dinheiro? Dinheiro esse que sempre fora óbvio para ela. E a ferida, ela nunca a vira tão de perto...
- A senhora está se sentindo mal?
- Não estou mal... mas não estou bem, não sei...
Pensou: o corpo é uma coisa que estando doente a gente carrega. O mendigo se carrega a si mesmo.
- Hoje no baile a senhora se recupera e tudo volta ao normal – disse José.
Realmente no baile ela reverdeceria seus elementos de atração e tudo voltaria ao normal.
Sentou-se no banco do carro refrigerado lançando antes de partir o último olhar àquele companheiro de hora e meia. Parecia-lhe difícil despedir-se dele, ele era agora o “eu” alterego, ele fazia parte para sempre de sua vida. Adeus. Estava sonhadora, distraída, de lábios entreabertos com se houvesse à beira deles uma palavra. Por um motivo que ela não saberia explicar – ele era verdadeiramente ela mesma. E assim, quando o motorista ligou o rádio, ouviu que o bacalhau produzia nove mil óvulos por ano. Não soube deduzir nada com essa frase, ela que estava precisando de um destino. Lembrou-se de que em adolescente procurara um destino e escolhera cantar. Como parte de sua educação, facilmente lhe arranjaram um bom professor. Mas cantava mal, ela mesma sabia e seu pai, amante das óperas, fingira não notar que ela cantava mal. Mas houve um momento em que ela começou a chorar. O professor perplexo perguntara-lhe o que tinha.
- É que eu tenho medo de, de, de, de, cantar bem...
Mas você canta muito mal, dissera-lhe o professor.
- Também tenho medo, tenho medo também de cantar muito, muito mais mal ainda. Maaaaal mal demais! Chorava ela e nunca teve mais nenhuma aula de canto. Essa história de procurar a arte para entender só lhe acontecera uma vez – depois mergulhara num esquecimento que só agora, aos trinta e cinco anos de idade, através da ferida, precisava ou cantar muito mal ou cantar muito bem – estava desnorteada. Há quanto tempo não ouvia a chamada música clássica porque esta poderia tirá-la do sono automático em que vivia. Eu – estou brincando de viver. No mês que vem ia a New York e descobriu que essa ida era como uma nova mentira, como uma perplexidade. Ter uma ferida na perna – é uma realidade. E tudo na sua vida, desde quando havia nascido, tudo na sua vida fora macio como pulo do gato.

(No carro andando)
De repente pensou: nem lembrei de perguntar o nome dele.
1977

In: Lispector, Clarice. A Bela e a Fera, Nova Fronteira, 1979, 131-46.

Na cozinha com Celine


Alí estava Celine, vestida com seu avental de poá vermelho, fatiando um tomate quando sente alguém a envolvendo nos braços, tocando sua cintura, descendo as mãos para suas coxas. Ela fechou os olhos e abriu um sorriso. Sentia a respiração no seu pescoço e os beijos.

Não tirou as mãos do balcão onde apoiava a tábua de corte, mas seu corpo respondia a cada toque, a mão tateava, tocava sua cintura, subia para sentir seus seios firmes e macios, mordia o pescoço e nuca, a respiração ficava mais forte e cortada. A mão saía dos seios e ia para os seus cabelos, os cabelos castanhos encaracolados que Celine amava e mantinha, e os puxavam para o lado, liberando o outro lado do pescoço...

O corpo de Celine delirava, pedia mais e mais, as mãos e beijos não paravam. Ela era "encoxada", como diz a gíria, sentia alguém, sentia ele. Sim, agora ela sabia que era um homem... Será que era Ele, que resolverá fazer uma visita no meio do dia? Deveria ser, ele tinha a chave, podia lhe fazer uma surpresa.

Os gemidos dele a enlouqueciam mais ainda... O corpo dela se movia junto com o dele, eram um... As mãos passeavam pelo corpo bem torneado dela, eram firmes, acompanhavam cada curva, fazendo com que ela ficasse arrepiada, aquela respiração na nuca... Ela gemia tambem, suas mãos abandonaram o balcão, seu corpo se virava lentamente para beixar a boca do seu vistante...

E quando se virou se deparou com...

...

...

...

...

O NADA.

A espera interminável


Uma garota tamborilava os dedos na mesa do computador... Ele ainda não havia aparecido, queria conversar, se sentia só e ele fazia compania a ela nas noites de insonia, sendo galanteador, a fazendo rir e fazendo promessas... As histórias que ele a contava eram reais, ajudavam ela a liberar a mente e o corpo.

Sephy olhava as unhas grandes e pintadas de preto, combinavam com as suas estrelas tatuadas no pulso... Ele demorava e ela não poderia esperar muito, tinha uma prova no outro dia, uma prova grande e dela dependia o seu futuro, o diploma estava em jogo. Pensar nisso parecia dramático, sem essa prova ela não iria se formar.

"CADÊ VOCÊ PORCARIA!" pensava ela já que ele não aparecia. Só conseguia falar com ele pela internet, nada de telefones, endereços ou encontros, ainda nada disso. Ela viajaria em alguns dias e ficaria um tanto que incomunicável... Como iria conversar e contar suas experiências a ele? Como iria ouvir as experiências e cantadas dele? Era uma super massagem no ego daquela garota bonita, porém rejeitada. Se sentia carente e ele preenchia essa lacuna.

Havia se passado uma hora e nada... Onde ele havia se enfiado até essas horas, ele devia ter entrado a algum tempo, provavelmente devia ter ido para a balada e esquecido dela como todos os outros. Nada, nada... Resolveu ouvir música francesa, mas lembrou-se de uma história contada por ele... Desistiu, iria doer no peito, resolveu ouvir jazz, a mente voava, queria conversar com ele, mas ele não entrava...

Uma hora ela iria se cansar, mas não queria se cansar. Queria esperar, mas a prova no outro dia a impedia. Deixou mais uma mensagem offline.

Ele iria responder mais tarde? No outro dia? Ou nunca?

Mais uma carta


Lugar Nenhum, sem data definida, no Limbo não tem tempo.

Amigo Vento, tenho que lhe confidenciar uma coisa...

Hoje senti saudades, não sei por qual motivo ou razão, mas senti saudades de alguém e me odiei por isso, pois pensava que não precisava mais desse alguém... Não entendi porque dessa saudades, mas a curti, gosto de pensar que esse alguém também sente a mesma coisa...

Ainda tenho medo de me apaixonar, quero muito me entregar a alguém, mas ainda não achei esse alguém, até medo de me apegar estou sentindo. Mas, isso não consigo controlar, sempre acabo me apegando a alguém, nem que seja por segundos... Atualmente, estou me apegando a dois rapazes... Quero encontra-los, senti-los, prova-los... Mas não sei quando farei isso, queria que fosse o mais cedo possível.

Queria saber onde anda aquela menininha que eu constumava a ser... Deve está adormecida, só esperando alguém para desperta-lá, ou para misturar a mulher que sou hoje. Amigo vento, ando fazendo tantas coisas erradas sem me arrepender, isso é normal? Ou será que essas coisas erradas são certas? Eu tenho me divertido tanto, como nunca havia me divertido antes...

Vento, meu querido, surtei esses dias e fazia muito tempo que não me sentia bem, parece até que o surto me libertou. Entrei em crise um dia desses, aquela velha crise de carência... Mas essa foi tão rápida que nem tive tempo de me acostumar novamente com esse sentimento. Ainda bem, pois não quero senti-lo... Meus rapazes me fazem sentir um pouco carente pelo fato da distância que estou deles... Mas ambos sempre falam comigo...

Preciso ir, a realidade me chama...

Amanda

No balanço após a aula


"Oh céus... Não quero isso hoje!" pensava a moça vestida de rosa ao ouvir seu despertador, o dia anterior havia sido péssimo, tudo havia dado errado... Só o fim da npite que as coisas tinham melhorado um pouco, um desejo dentro dela cresceu.

Ao olhar no espelho seus olhos estavam novamente pretos como o ébano, Phantom Lady suspirou, havia entrado no período de limbo, a saudade consumia o seu peito junto com a vontade de viajar para encontrar um pouco de "paz".

- Paz... Se ele voltasse logo, eu a teria mais uma vez por uns instantes... - comentava ao trocar de roupa, sabia que ele ia voltar, mas ia demorar um pouco.

O limbo era um estágio conhecido dela, não estava completamente triste e nem completamente alegre. Ouvia constantemente a mesma música e um dia foi trocada sem ela notar. Ela a escutou pela primeira vez enquando se balançava embaixo de uma arvore num parque que foi após a aula.

A letra era mais ou menos assim:

Eu não quero ser a garota que ri mais alto
Ou a garota que nunca quer estar sozinha
Eu não quero ser aquela chamada às 4:00 da manhã
Porque você sabe que eu sou a única no mundo que não vai estar em casa

Ahh, o sol está cegando (me cegando)
Eu me levantei novamente
Oh, eu estou me encontrando
Esta não é a forma que eu quero que minha história termine

Eu estou segura lá em cima, nada pode me tocar
Porque eu sinto que esta festa acabou?
Nenhuma dor por dentro (interior), você é como proteção
Mas como eu me sentirei tão bem sóbria?

Eu não quero ser a garota que tem de preencher o silêncio
O silêncio me assusta porque ele diz a verdade
Por favor, não me diga que tivemos aquela conversa
Eu não me lembro, guarde o seu fôlego
Porque, qual é o uso (o motivo, ou, de que vai adiantar?)

Ahh, a noite está chamando
E ela sussurra para mim calmamente (docemente), você se culpa demais
Eu escuto você caindo
E eu me deixo ir, eu sou a única que deve ser culpada (que deve ouvir a culpa, se sentir culpada)

Eu estou segura lá em cima, nada pode me tocar
Porque eu sinto que esta festa acabou?
Nenhuma dor por dentro (interior), você é como perfeição
Mas como eu me sentirei tão bem sóbria?

Indo para baixo, para baixo, para baixo
Girando ao redor, ao redor, ao redor
Procurando por mim mesma, sóbria

Quando isso está bom, então está bom
Tudo está bom, até que fica mau
Até que você tente encontrar aquilo que teve uma vez
Eu me machuquei, chorei, nunca mais
Quebrada (para baixo) em agonia
Apenas tentando encontrar um amigo
Oh

Encaixava-se com no momento dela... Lá estava ela, tão alto no balanço que ninguém podia tocar nela... E láa ela teve um insinting...

Natasha e dança da vida


Ela dançava sensualmente tirando a blusa na frente da webcam, era observada por um rapaz que lhe admirava as formas bem feitas e generosas. A música que o computardor tocava não era exatamente uma para fzer um stripper, mas ela adaptara bem. O rapaz já estava bastante excitado, a querendo com todas as forças e ela se divertia, muitas vezes fazia isso só por diversão, só para espantar o tédio.

Seu nome era Natasha, assim como a música da banda Capital Inicial... Tinha um rosto novo e um corpo feito pro pecado, sabia seduzir alguém, mas, no final, acabava só. Ela achava que os homens só a olhavam visando diversão e ela os dava diversão... Mas queria mais, queria alguém para se prender, ou então apenas para passar um tempo a mais, caso não rolasse algo sério.

Ela estava começando a gostar daquele rapaz que do outro lado do computador fumava e se mostrava "animadissímo" com sua performace... Mas não era o gostar de querer algo muito sério, apesar que ela toparia isso com ele... Gostava também do outro rapaz tímido que havia dito que ela fica bonita enquanto come e que tem um sorriso lindo, aquele que a escutava, havia um terceiro, com o qual ela já havia tido algo, que a confortava também, fazia ela se sentir segura e bem.

Natasha estava ficando cada dia mais cansada de ser só ela sem um alguém, um namorado, um amante... Mas aceitava esse fato. Enquanto tirava a blusa desejou o cigarro que o rapaz fumava, daria uma tragada e deixaria para lá, na mente dela fazia as contas de quanto sairia para ela desaparecer dalí e aprecer ao lado dele ou do outro rapaz tímido. Enquando exibia suas curvas, sem se sentir vulgar ou idiota, pensava no qu iria fazer quando desligasse o computador e fosse para o quarto, provavelmente capotaria na cama ou ficaria ouvindo música até tentar adormecer, talvez chorasse ou lesse um livro...

Era a vez do rapaz se exibir e ela se deliciava com a visão, queria está lá, queria entregar o corpo a ele sem pudores ou medo, queria ele... Pelo menos naquele instante ela o queria.

No outro dia, ao levantar-se viu quem tinha uma mensagem em um dos seus celulares, pegou e a leu, era do rapaz tímido que cada vez mais ganhava seu coração, era simples e só dizia a seguinte frase: Estou passadando para desejar um bom dia para você e deixar aquele beijo =*
Natasha releu várias vezes aquela mensagem, a respondeu, desejou o mesmo a ele... Queria está perto dele, sentir o perfume que ele usava, tocar no cabelo dele... Ela passou a manhã com esse sentimento, ao sentar-se na frente do computador, o outro rapaz perguntou como ela estava, a fazia rir, a deixava sem graça, disse, também, que queria encontarar com ela, dedicou uma música a ela, e veio aquele sentimento de ser pega por aquele rapaz forte num canto, ter o cabelo puxado, lábios mordidos, de arranhar as costas dele, gemer no ouvido dele... Faltava o terceiro que estava viajando e que ela havia sonhado, com ele, ela queria a mistura dos dois anteriores.

Porém, no final da noite... Ela acaba só, como nas noites anteriores...

19 coisas sobre mim


1 - Nasci em um dia chuvoso, onde nem os carros passavam nas ruas, coisa que se repetiu 15 anos depois.

2 - Escrever, ler e ouvir música são as minhas drogas favoritas.

3 - Sempre gostei dos números pares. São mais justos. Mas os ímpares também me atraem. São diferentes.

4- Só gosto de ler livros que não são indicados para minha idade, como por exemplo, li Olga com 12 para 13 anos.

5 - Gosto de tecnologia, mas não dispenso um dia em um local onde não tenha nada.

6 - Minha família de sangue é tudo para mim, a minha família escolhida - amigos - também.

7- A primeira letra - A - amiga, atraente, ativa, autruista, adoravel, amada = Amanda

8 - Sou fresca em relação a comida... Não gosto de comer na rua.

9 - Paciência "quase" infinita - mas me esforço pra ser mais paciente e calma.

10- Dou um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair dela.

11 - Mania de fotografar o mundo ao meu redor.

12 - Os origamis, apesar de esquecidos, são minha terapia, assim como fazer capas de cadernos, pastas e afins.

13 - A única coisa que eu aprendi a desenhar bem foram olhos, sempre tive uma atração por eles.

14 - Leio nas entrelinhas, é péssimo quando as vezes leio e não gosto do que leio.

15 - Amo Sapos, morcegos, gatos pretos e corujas.

16 - Tenho sérios problemas para não criticar algo, sou crítica demais.

17 - Cores - Roxo, preto, azul, verde. Odeio a cor branca.

18 - Meu quarto é o meu mundo, meu lugar favorito quando estou em casa.

19 - Gosto de usar óculos, não penso em trocar meu segundo par de olhos por lentes.

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Post inspirado em um da minha Amiga-Irmã Gi. Resolvi mostrar a vocês quem escreve aqui... Acho que assim, você poderam entender melhor meus textos... Ou não.

A noite...


Ela estava deitada, quase inerte se não fosse pela respiração ofegante. Ele estava ao seu lado, também ofegante, haviam acabado a pouco e ele ainda estava nela.

O suor dela tinha um cheiro adocicado, lmebrando bergamota, o dele era amadeirado, marcante, único. Estavam abraçados, olhando um para o outro, ele a puxava para si, como se não quisesse deixa-la fugir, e ela agarravasse a ele, como s ele a protegesse.

Suas bocas se encontravam institivamente, assim como os olhos e sorrisos; ela se aconchegava no peito dele, que não estava mais dentro dela, mas ainda estava em riste, querendo mais. A mão dele desvendava as curvas do corpo dela como se nunca houvesse feito aquilo antes e ela deixava-se desvendar como se ele fosse o primeiro.

Ela tocava o rosto dele, cada movimento acompanhado com o olhar e ele respondia com as mãos na sua cintura, a puxando para si, aumentando as carícias. Ela gemia baixinho, eram novamente um, os beijos ficaram mais ardentes, mais profundos e com gosto de cada vez querer mais e mais aumentando, assim como os gemidos, as mãos, o suor, as línguas, os olhares....

Até que param, no rosto deles encontra-se a felicidade, estavam juntos, haviam chegado juntos nunca isso havia acontecido antes. Ela o olhou, sorriu, o beijou levemente na boca, enconstou no seu peito e dormiu ao som das batidas do coração desritmado e dos carinhos dele.

Primeiro Selinho ^^


Ganhei meu primeiro selinho nesse blog ^^

As regras são:
1. Escrever uma lista com 8 características suas;
2. Convidar 8 blogueiras para receber o selo;

Amanda: Ama escrever, tem uma mente muito fértil, NERD, não gosta de maquiagem, fotógrafa nas horas vagas, artesã, tímida porém falante, ama aprender línguas.

Indico
Giane, Gabi, Caca, Débora, Glória, Ferrockxia, Madrasta Má e Mari

Um dia lindo de morrer


O dia mistura as cores
Que voltam pro mesmo lugar
A incerteza me acompanhou
Onde eu tenha que passar

Eu sou o cativeiro do meu pensamento
Mas tiro meus pés do chão para poder sonhar
Se eu sou o cativeiro do meu pensamento
Porque tiro os pés do chão para poder sonhar?

Seu beijo sumiu do meu rosto
Meu sangue subiu a cabeça
Queria olhar para você
Mas sem ter que olhar para trás

Meu sorriso não é tão largo
Estou feliz mas às vezes choro
Jogo meu corpo no espaço
Ah, hoje faz...

Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...

Seu beijo sumiu do meu rosto
Meu sangue subiu a cabeça
Queria olhar para você
Mas sem ter que olhar para trás

Meu sorriso não é tão largo
Estou feliz mas às vezes choro
Jogo meu corpo no espaço
Ah, hoje faz...

Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...
Hoje faz um dia lindo de morrer...

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Música do China, pois hoje faz um dia lindo de morrer aqui em Lugar Nenhum.

Névoa


Eles se encontram abraçados, bem juntos
uma mistura de corpos tão rico em dias
onde o mar a terra toca
ela dirá a verdade a ele
Mas o vento devora suas palavras
onde o mar chega ao fim
ela segura, trêmula, a mão dele
e pousou um beijo em sua fronte

Ela carrega a noite no peito
e sabe que ela deve desfalecer
ela deita a cabeça em seu colo
e pede um último beijo

E então ele a beijou
onde o mar chega ao fim
seus lábios enfraquecidos e pálidos
e seus olhos ficam úmidos

O último beijo foi há tanto tempo
o último beijo
ele não se lembra mais
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Essa é a tradução da música Nebel do Rammstein... Como queria ter escrito ela, tão simples, pura e verdadeira...

Algo escrito um dia desses...


O demônio da esperança
está sempre a tentar-me.
Rondando meus pensamentos,
fixa-se em minha mente
& nela faz seu habitat,
iludindo-me com
o amanhã,
o por vir...
Além & adiante.
Enganar é acreditar
em algo não existente
presente
no real.
Aparecendo apenas
na minha projeção:
O futuro.


Rodrigo Chagas.
05/10/09.
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Poema de um amigo que me identifiquei... Sim, a esperança as vezes lhe engana, cabe a você decidir se vai com ela ou não...

Novos sentimentos afloram


Em alguns meses, essa era a primeira vez que Phantom Lady acordava radiante como no passado. Sim, o dia anterior foi perfeito, o encontro e a comemoração do aniversário da amiga e o seu irmão em casa, tudo como ela queria e imaginava. "Finalmente as coisas estão melhorando" pensava com um sorriso no rosto, parecia, até, que sua pele melhorou da noite para o dia.

Ainda o sentia nos lábios, podia sentir o perfume dele no seu corpo, seus sussuros ainda ecoavam na sua mente, podia sentir as mãos dele percorrendo o corpo dela. Sim, ela estava feliz, amando alguns diriam, mas ela sabia que não estava amando ainda. Não, ela ainda não era capaz de amar outra pessoa ainda, mas adorou os momentos que passou com ele e gostaria de repeti-los o mais rápido possivel.

Sentada na cama, ela deixava a cabeça tombar para trás de olhos fechados revivendo os momentos do dia anterior, tão perfeitos, tão sublimes, tão surreais...

Levantou-se e olhou-e no espelho e lá viu o que nunca mais havia visto... Seus olhos estavam cor de mel.

Um outro dia, mesmos sentimentos


Phantom Lady teve um sono em pedaços, fazia alguns dias que "magoara" uma pessoa.
Hoje... Ontem, nem ela sabia ao certo, havia magoado três pessoas, dois rapazes e uma moça, "passei da minha cota da semana" sisse a si mesma; os rapazes eram seus amigos, já a moça... Era ela mesma, a única pessoa que ela não devia magoar... ELA MESMA.

Agora, as lágrimas que ardiam outrora corriam livres pelo seu rosto, a solidão se apoderava do seu pobre e pequeno coração. Ela observava as veias azuis de seus pulsos, passava, delicadamente, o dedo sobre elas, acompanhando o desenho que elas faziam... "Não de novo" dizia ela internamente ao se deparar com aquela cicatriz... Fazia tantos anos desde aquele dia que ela acreditara ter apagado da memória...

O baixo e a bateria da mpusica que ouvia fez com que seu coração tenter-se acalmar-se, apesar do som pesado cantado em alemão. Nesse momento ela desejou um cigarro para abreviar sua vida em cinco minutos, depois mais cinco...
- É simples, fácil e me mata aos poucos - disse em voz alta, mas ninguém a ouviu. O vocalista da banda que ouvia repetia a frase "Du Riechst So Gut", ela não sabia o que significava, mas berrar essa frase ajudava a espantar a tristeza... Tristeza, esse podia ser seu segundo nome...

"A quanto tempo não consigo sorrir de verdade?" pensav ela... Todos aqueles sorrisos falsos, só os olhos negros a denunciavam... "Olhos que mudam de cor... Pfff" zombou de si... Mas ela sabia que era sério, eles mudavam de cor, e, infelizmente, ela não sabia qual era o tom mais claro que eles ficavam...

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Du reichst so gut quer dizer Seu cheiro é tão bom em alemão.

Pensamentos Avulsos


"Porque as pessoas têm que sonhar com coisas impossiveis?" pensava Phantom Lady deitada, no escuro, olhando para o teto. Ela sentia um nó se formar na sua garganta e as lágrimas queimarem nos seus olhos mas não saiam. "talvez essa música francesa estja me fazendo pensar demais.." pensou mais uma vez.

A vários dias seus olhos estavam negros como ébano. A última vez que havia dormido bem foi quando reencintrou um amigo que havia sido "criado" com ela, ele sabia seu verdadeiro nome, para ele, ela não era Phantom Lady... Deitada, ela imaginava situações com diversos homens diferentes chegando na sua casa, flando com seupai e ela se via correndo para abraça-los... Uma dor no peito a tomava toda vez que ela chegava nesse ponto, queria que as situações fossem reais, ela sentia-se só, parecia, até, que seus únicos companheiros eram os livros como foi outrora.

Sentou-se na cama, acendeu o abajur e olhou seu esmalte descascado, pensou no rapaz que havia conversado e no outro que havia dado uma bronca... O primeiro lhe parecia interessante e o segundo infantil... "Onde estou com a cabeça?" pensou, quis ligar pra um terceiro, mas já era tarde e ele devia está dormindo... Algo que ela também deveria está fazendo...

Não sei quem você é...


Mas sei que você existe. Todas as noites, me visitas, você me dá prazeres proibidos... Sussuras palavras gentis ao meu ouvido fazendo-me ficar arrepiada.

Tu me visitas em sonhos, mas nunca consigo ver teu rosto... Vou te encontrar algum dia? Por favor, venha me ver, me dê os prazeres proibidos reais, não em sonhos. Venha...

Eu estou te esperando, mesmo sem saber teu nome... Até te dei um nome por esse motivo... "Meu amor" é assim que te chamo... Amor... As vezes ele me parece tão distante, mas o teu não posso negar, não posso rejeitar, não posso se quer viver...

Quem é você? Quem é você que me dar prazeres, me acalenta, me conforta? Nunca vi teu rosto ou escutei tua voz de verdade... Quem é você?

Peço, mais uma vez, que não foque só nos meus sonhos, venha me ver, venha me ter... Venha sentir a minha pele quente na tua, venha sentir o sabor dos meus beijos, venha sentir o calor do meu toque, venha sentir a pressão do meu corpo no teu..

Venha, venha...

Tabacaria



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928
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Esse seria o meu quem eu sou... Minha vida se parece com esse poema de Fernando Pessoa, pois nada sou e nada serei, mas tenho todos os sonhos do mundo.

Havia barulho...


E fez-se silêncio por um momento... A única coisa que ouvia-se pela casa eram os sons da rua.
Eles se olhavam, como se quissem gravar aquela imagem na mente. Ele, deitado, afagava os cabelos dela que estava deitada retribuindo o carinho da mesma forma. Seus olhos se cruzavam... Estavam cheios de ternura e amor.

Depois de um tempo ela adormeceu aninhada no peito dele, ele deslizava as suas grandes mãos pelo corpo nu dela... "Tão bela, tão frágil... Tão perfeita" pensava o homem apaixonado. Ela, em seu sonho se via naquela mesma situação, daquele mesmo jeito, eles deitados na cama com lençois de seda, ele, com seu corpo definido e atraente nu pulsando por ela. E o corpo dela ansiava por ele, mas precisava de um tempo, apenas um instante para se recompor, e voltariam.

Ele tocou o ombro dela, precisava levantar-se. Ela, amavelmente, tomou seu travesseiro e ficou olhando aquele homem moreno e belo, levantar e caminhar até a janela e abri-lá... Nas suas costas via-se marcas de unhas, ainda vermelhas, suas unhas... Ele voltava com um sorriso no rosto ao ver como ela estava. O lençol que cobria o corpo, também moreno, dela havia sido posto de modo especial que deixassem partes do corpo dela a mostra. No seu rosto também tinha um sorriso e um certo olhar de Femme Fatale que ele tanto amava.

Como um gato, ele voltou a cama e sua boca encontrou-se com a dela mais uma vez, como haviam feito antes. Depois deslizou para seu pescoço e ela soltou um gemido, ambos corpos desejavam-se enlouquecidamente, a visão dele e das marcas causadas por ela mesma havia sido o estopim, o que faltava para recomeçarem mais uma vez.

A boca dele encontrou a dela novamente e agora só ouvia-se o barulho de seus beijos... Suas mãos, não sabia se mais de quem, descobria o corpo do outro, precorria cada centimetro de pele...

Agora a única coisa que se ouvia era os gemidos de dois amantes.

Tarde de segunda-feira


"Vai, liga logo!" pensava Amanda olhando para o telefone, depois de tanto tempo iria se reencontrar com ele, estava ansiosa, precisava urgentemente conversar com ele. Era seu melhor amigo e o amava, gostava, sentia atração, adoração, uma mistura de tudo isso e mais algo.

Ela sonhava, tanto acordada como dormindo, com o dia que ele retornaria para ela e ela voltaria a ser feliz plenamente, ela era feliz, mas sempre faltava algo... Ou alguém. Fazia alguns meses já, mas ainda não havia sentido o que ela sentia com ele por nenhum dos outros caras que ela havia conhecido e saído... Faltava algo a eles. Ela sonhava que ele voltava e ela passava a mão em seu rosto, que o tocava e ele fazia o mesmo com ela e ela podia sorrir em paz...

Como ele não ligava e chovia muito, ela ligou. Não iriam se ver mais, a chuva impediria... Amanda ficou triste, mas entendeu... Sua solidão aumentenva, mas a voz dele a confortava, ela não queria ficar só naquele dia. Alguns intantes após desligar ele a ligou, perguntou se sabia da feira mística que estava tendo, ela ficou feliz por ele ter lembrado dela nesse momento. Ela disse que iria depois e ele disse que ela iria gostar.

Por ter que ficar em casa, Amanda resolveu terminar de ver o filme que começou na sexta... Pela primeira vez ela chorou em um filme e se deu conta da falta que ele fazia a ela e ela sabia que ele também sentia dela, não sabia se na mesma intensidade. "Droga, porque?" falava para si... Ela o amava, estava mais que exposto... E o queria para si. Era tão deprimente a cena, ela que sempre foi forte, chorando em uma cena de carinho num filme... Ela queria um pouco de carinho... Se fosse dele seria melhor, mas se não quem sabe? Não queria ficar em casa, queria encontra-lo onde quer que ele estivesse.

O filme acabou e começou uma crise de choro, ela sentia saudades, revivia na mente todos os bons momentos que passaram juntos... Ela tinha esperança de ficarem juntos novamente, e ela sabia que ia acontecer isso, ao contrário que a imagem colada no caderno dela dizia em inglês "Hope is lost". Mas, isso só seria pleno quando ela tivesse o cantinho dela.

Depois de um tempo, completamente só em casa, ela voltou a ligar, mas chamava e ninguém atendia... Isso a entristecia, ela estava disposta a sair de casa e ir encontrar com ele. Se não fosse com ele, iria encontrar-se com outra pessoa. Não queria ficar em casa, estava muito só e nem se ligasse todos os rádios e todas as televisões iria se sentir bem. Pensar que alguns dias atrás ela rezava para ter um momento de solidão e logo hoje, o único dia que ela não queria ficar só, ela ficou.

Ligou mais uma vez e ele a atendeu, estava com uma garota... O corpo dela gelou, em mil pedaços se quebrou... Ela estava mal e ainda isso? Ela o amava tanto que desejava a felicidade a ele, ele estando com ela ou não, é obvio que ela preferiria que ele estivesse com ela. Ele disse que a veria assim que chegasse perto da casa dela, ela queria só um abraço...

Uma música vinha na mente dela, dizia assim: "eu costumava a ser uma casa de diversões, mas agora estou cheia de palhaços malvados"... Era a Amanda, a mente de Amanda...

Agora ela iria esperar ele ligar para se verem... Ela esperava que não demorasse muito, pois precisava ve-lo.

Descalça


Como é bom ficar descalça
Por os pés na areia da praia ou na grama
Senti as vibrações deste elemento
Por os pés na água
Sentir ela purificar os pés que trilham o Seu caminho.

Por os pés junto ao fogo
Sentir o reconfortante calor afastando o frio
Por os pés para o alto
Sentir a brisa que te faz voar, que lhe relaxa, que lhe acalma, que lhe liberta
Não só o vento te liberta, e sim com a união dos quatro elementos atingirá a liberdade e a paz de espírito.

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Venho aqui pedir perdão as pessoas que leem esse blog.
Ando passando por um "Bloqueio criativo". Tive e estou tento alguns problemas e não tenho conseguido escrever textos, porém escrevo páginas e mais páginas de diários.
Assim que isso passar, e espero que seja rápido, voltarei com meus textos normalmente.
Poema retirado de um caderno velho e mofado.

Um "insinting"


Houve um "insiting" e Suzy finalmente compreendeu, ela não gostava dele. Não gostava a ponto de querer entregar o corpo a ele. Sim, ele continuava especial, ah sim, isso ele ainda era.

Ele havia preenchido, temporáriamente, um buraco no peito dela... "Talvez eu tenha ido rápido demais, e por isso ele se afastou" pensava Suzy "ou, ele estava se apaixonando e não sabia lhe dar com esse sentimento..."

Parecia que depois disso ela se sentia mais leve, certo, ela ainda tinha vontade de falar com ele, de ligar só pra escutar a voz e falar besteiras... Mas não o desejava como antes. "Me livrei dessa não? Tá ainda acho ele especial, mas isso é crime?" perguntava-se enquanto via alguns avatares na internet. Sentia isso, mas não falava, queria encontra-lo pessoalmente e assim conversar... Quem sabe isso iria ocorrer mais cedo que ela imaginava?

Apesar de tudo isso, quando falavam dele, ela tinha um choque. Era como se todos os sentimentos voltassem e depois se acalmassem e ela nota que não gostava dele como imaginava, ele seria sempre aquele amigo "colorido" mas não era o que cara que ela iria se entregar tão facilmente.

"Parece que agora estou realmente livre, né?" Dizia para si a pequena grande Suzy. Sim, agora ela estava completamente livre! Finalmente ela podia sorrir sem peso na consciência e verdadeiramente.

Numa folha amarelada em cima da mesa...


Estava escrito as seguintes palavras:

"Oh, desejo-te, amado,
Desejo-te tanto que não posso falar...
Quero-te, meu amado!

Tome-me em seus braços,
Me fala mulher,
Deixe que seja tua e tu sejas meu...
Ah, querido, como te quero!

Quero-te tanto
Que até sinto meu corpo doer.
Faz-me mulher, oh amado,
Transforma-me em tua!

Amada, querido, faça-me feliz,
E deixe que eu faça o mesmo por ti!
A ti dedico todo meu amor,
Dedico toda minha paixão!

Meu amado, todos os dias te espero.
Estou sempre no mesmo lugar e na mesma hora...
A tua espera...

Toca-me...
Deixa que eu te sinta.

Te quero...
Te quero...
Te quero..."

Ao pé da folha via-se a marca de um beijo... Um beijo de amor e paixão.

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Retirado de um velho caderno...

O Beijo


E ele a puxou para si, ela não resistiu; Ela fez como um cão fiel segue o dono.
Ele a tomou nos braços, que era bastantes fortes, mas, ela se livrou e recostou-se numa parede atrás de si.
Ele, por sua vez, a enclausurou novamente em seus braços, e empregou parte de sua força para manter-lá parada ali, no lugar desejado, ela o olhava nos olhos.

Suas bocas estavam prestes a tocar-se só que, com um gesto repentino, ela fugiu. Ele a segue, como se fossem duas crianças brincando de pega-pega...
Finalmente ela se rende e volta a seus fortes braços e dar-lhe um apaixonado e quente beijo.

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Texto retirado de um velho caderno de poesias esquecido num canto sujo e escuro. Um "Alfarrábio".


O Pequeno Príncipe - Capítulo VI

"Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tiveste outra distração que a doçura do pôr-do-sol. Aprendi esse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:

- Gosto muito de pôr-do-sol. Vamos ver um…
- Mas é preciso esperar…
- Esperar o quê?
- Que o sol se ponha.

Tu fizeste um ar de surpresa, e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:

Por do Sol

- Eu imagino sempre estar em casa!

De fato. Quando é meio dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas…

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!

E um pouco mais tarde acrescentaste:

- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol…
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?

Mas o principezinho não respondeu."

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Pela primeira vez nesse blog não postarei um texto meu. Esse é o capítulo VI do livro O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, ele reflete minha alma agora.

Hoje, agora às 22:30, eu veria o pôr-do-sol quarenta e três vezes, se não visse mais vezes...

Uma conversa online


"Mr. Nightmare" acabou de entrar

- Finalmente, pensava que ele não apareceria hoje! - Falou a garota na frente do computador.

"Madame Vampire" diz:
Oi querido ^^

Alguns instantes se arrastaram até ele responder, não se conheciam pessoalmente, mas já tinham uma ligação impressionante, falavam de todos os assuntos e planejavam se encontrarem. Mas nenhum dos dois tinha dinheiro... Pobres estudantes.

"Mr. Nightmare" diz:
Acho que nunca vou te ter...

"Madame Vampire" diz:
Vai sim... É só ter mais paciência que quando você menos esperar eu chego ai e vou fazer morada em seus braços.

Moravam em estados vizinhos, se ela pegasse um ônibus em 12 horas estava na cidade dele, se fosse de avião chegava em coisa de 3 horas... Mesmo com toda essa proximidade, nunca pareceu tão longe, o dinheiro que ela contava para visitar seu amigo tão amado e querido não havia chegado. Seus problemas pareciam se multiplicar e ela queria que ele vinhesse primeiro...

"Madame Vampire" diz:
Queria que você estivesse aqui e enxugasse as minhas lágrimas...

"Mr. Nightmare"diz:
Se eu estivesse aí, nem chorando você estava...

Ela chorava como uma criança, sentia-se só, os rapazes só queriam o corpo dela, não queriam conhece-lá de verdade era só sexo e sexo. Ele foi diferente a conheceu antes de ver uma foto de corpo todo ou de ve-lá pela webcam.

"Mr. Nightmare" lhe chama para uma conversa com video.

"Mr. Nightmare" diz:
Deixa eu ver seu rosto.

"Madame Vampire" diz:
Estou um caco, amor...

"Mr. Nightmare" diz:
Por favor.

"Madame Vampire" aceitou a chamada.

A cara dela era terrível, estava lavada de lágrimas, existia dor em seu olhar.

"Madame Vampire" diz:
Quero ouvir sua voz, por favor, assim eu me acalmo...

"Mr. Nightmare" lhe convida para uma chamada de voz

"Madame Vampire" aceitou a chamada
.

A voz dele foi como um sopro de calma na mente dela, ela estava d olhos fechado enquanto ele falava. Ele pedia para ela falar, mas ela não conseguia, além dos olhos, sua voz estava cheia de dor. Ele falou algo que ela começou a chorar novamente, ele pediu que não chorasse.

"Madame Vampire" diz:
Não queria que você me visse assim...

Ele dizia que tava tudo bem, que era bom por pra fora... A acalmou bastante, até a fez sorrir.

"Madame Vampire" diz:
Preciso ir querido... Amanhã tenho que acordar cedo pra entregar currículos.

"Vá e tente descançar" disse com a voz que ela tanto gostava... "Eu te amo e fica bem"

"Madame Vampire" diz:
Também te amo, fique bem também...

Ela saiu da internet, ainda chorou um pouco até pegar no sono, mas o sentiu abraçado a ela e viu que nenhum pesadelo podia pega-lá...

Uma carta de Luiza


A carta começa a ser escrita, nela pingam lágrimas, mas tem várias verdades. Quem a escrevia era Luiza, apesar de ser a calma em pessoa, tinha muita coisa a falar, coisas que não podiam ser ditas em voz alta. Coisas que queria dizer e que não conseguia.

Começou assim:
"Quero pedir desculpas a todos que eu magoei, que machuquei, que quis maltratar...
Peço desculpa aos meus pais, principalmente ao meu pai, pelo dinheiro que ele gastou comigo na terapia.
Peço desculpa a todos que me amaram e eu não pude corresponder ou não correspondi a altura.
Peço desculpa por amar aqueles que amei e não me amaram.

Peço desculpas por querer entregar meu corpo a apenas 3 pessoas e nenhuma a mais.
Peço desculpas por mentir sobre como estava e como eu me sentia.
Peço desculpas por querer impor minhas vontades.
Peço desculpas por parecer fútil, quando não sou.

Peço desculpas por não haver pedido desculpas antes.
Peço desculpas por não ter notado que precisava de ajuda.
Peço desculpas por não ter notado que precisava de alguém ao meu lado.
Peço desculpas por, mesmo sabendo que precisava de alguém do meu lado, ter rejeitado a ajuda.

Peço desculpa por insistir em conversar, mesmo não querendo falar comigo.
Peço desculpa por ouvir tanto as outras pessoas e não ser ouvida.

Enfim, peço perdão, nem é desculpas, por ser assim como sou e me aceitar tão bem.

Quero deixar claro que não me arrependo de nada, que tudo que fiz teve um motivo e, para mim, esse motivo foi único.
Quis viver como se não houvesse amanhã, pois não sabia se realmente existiria um amanhã.
Aprendi muito com as pessoas que apareceram na minha vida, ms chegou a hora de desaparecer por uns tempos, de pensar em mim.
Em relação as 3 pessoas que quis entregar meu corpo, entreguei a uma, tentei com outra e fiquei na metafísica com a terceira... Sim, eu entregaria ele de novo e entregaria quantas vezes eu quisesse.
Amei quem não me amou por acreditar que a pessoa mudaria e para mostrar a mim mesma que poderia amar.
Amei várias pessoas, mas existiu um momento que eu já não acreditava nesse sentimento, levei tudo para a frente sem fé. Até que vi que podia amar novamente.
Impus minhas vontades pois sou um ser humano egoísta, e muitas delas, pareciam sensatas no momento.
Sim pai, a terapia deu resultados, ou você preferia aquela menininha triste que chorava pelos cantos, como eu era?

Pergunto-me se algumas das pessoas que amei ou que gostei, percebeu que eu sou um doce de pessoa, calma, paciente, que tem sonhos e vontades, que só precisava de alguém ao lado durante os momentos de dor e de alegria, alguém que me ajudasse a levantar quando caísse ou me aparasse.
Pergunto-me se alguém notou que outra pessoa como eu não existe, não existirá alguém tão companheira e tão compreeensiva que nem eu.

Agradeço, neste momento, a todos que me amaram e digo, terei que sumir por uns tempos... É necessário, assim organizarei meus pensamentos e sentimentos.
Peço que não se preocupem, estou bem, não tentem me achar, pois eu acharei vocês.

Com amor e carinho
Luiza"

Uma pequena gota de sangue caiu no papel, junto com as lágrimas que ja molhavam o papel. "Maldito papel que corta" pensou, levando o dedo a boca. Olhou para a bolsa já arrumada encostada na parede... Dobrou o papel e pôs dentro de um envelope, o beijou e colocou no espelho da sala, depediu-se de sua cachorra com um longo afago e um abraço:
- Sentirei sua falta, bebê. Você sentirá a minha? Vai?? Então me espera que eu vou voltar, tá?

Abriu o portão e deu mais uma olhada para a casa onde morava, saiu e o fechou.

Deixou para trás o seu som ligado tocando a seguinte canção:
"
Uma vez minha vida foi simples e serena
Eu recordo
Uma vez minha ignorância foi uma bênção
O anoitecer chegou
Como um beijo de serpente
Para minha mente perturbada

Por que, oh por que, meu Deus?
Você tem me abandonado
Em minha sobriedade
Por trás da velha fachada
Eu sou sua criança perturbada
Então leve-me através do amplo rio

Promessas convidativas foram feitas
Em minha alma
Grandes ilusões conduzem desencaminhadas
O frio congelante varreu meu coração para longe
Traz me de volta para você

(Helena)
Eu recordo-me da canção
Como um sonho
Onde o Setembro foi longo
E o inverno irreal

Por que, oh por que, meu Deus?
Você tem me abandonado
Em minha sobriedade
Por trás da velha fachada
Eu sou sua criança perturbada
Então leve-me através do amplo rio"

"Eu quero saber se você já viu a chuva..."


Sentada em um banco na faculdade, Ellen lia um revista sobre teorias da conspiração com seus grandes óculos escuros e seus fones de ouvido berrando algo que nem ela mais sabia ser. Ventava, como ventava, seu cabelo castanho com partes loiras voava junto com sua revista, mas ela insistia em ler.

Em um dado momento, onde não estava mais concentrada nem na sua leitura e nem nas músicas, resolveu ouvir a canção do vento. Uns chamavam aquele som de zumbido, outros de barulho, ela chamava de canção, onde contava uma antiga história, a história de uma garota que tinha um grande coração e que queria alguém que não a queria. Esse alguém estava confuso, mas dizia que não a queria, tinha medo de iludi-la e magoa-la, mas no fim fazia exatamente o que temia.

Ellen prestava atenção aquela história com lágrimas nos olhos, era tudo tão real, como as outras pessoas não conseguiam escutar? Como as pessoas não paravam para prestar atenção nas lições do amigo vento? Ela fechava os olhos, algumas lágrimas caíam e outras ficavam, devagar abria um sorriso e depois voltava a ficar séria. Já não se importava se seu cabelo voava e se sua maquiagem, feita com tanto esmero naquele dia, estava borrada por conta das lágrimas, apenas queria saber o que aconteceria com aquela garota.

O vento lhe dizia que a garota sofria, pois gostava dele, mesmo dizendo que não ela gostava dele, e ele também nutria algo por ela, mas estava confuso, não sabia o que nutria, não sabia se era a mesma coisa que ela nutria ou era algo diferente. Ellen sentia pequenos pingos baterem no seu rosto, não eram lágrimas... Ao abrir os olhos viu que começara a chover, uma chuva fina. Os fechou novamente para saber o fim da história.

A garota estava magoada, pois queria o rapaz e ele se afastava, até que uma hora ela viu que tinha que seguir em frente, estando com ele ou sem ele, precisava trata-lo como ele a tratava, mesmo que isso machucasse o coração dela, precisava viver. E ela nos primeiros momentos sofreu, machucou a pele em busca de um alívio, um alívio que era tão rápido que ela precisava se machucar mais uma vez para sentir a sensação... Depois tudo melhorou, tudo ficou mais leve, até que um dia ela já estava livre. E quando isso ocorreu, ele voltou e pediu desculpas e disse que havia descoberto o que sentia por ela...

Ellen abriu os olhos misturando as lágrimas no seu sorriso, e viu um belo arco-íris e notou que a garota da história que o vento contava era ela e que tudo daria certo, era só esperar a chuva passar e o arco-irís iria aparecer.