Angelique e suas Facetas

A história de Angelique e suas muitas facetas...

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No balanço após a aula


"Oh céus... Não quero isso hoje!" pensava a moça vestida de rosa ao ouvir seu despertador, o dia anterior havia sido péssimo, tudo havia dado errado... Só o fim da npite que as coisas tinham melhorado um pouco, um desejo dentro dela cresceu.

Ao olhar no espelho seus olhos estavam novamente pretos como o ébano, Phantom Lady suspirou, havia entrado no período de limbo, a saudade consumia o seu peito junto com a vontade de viajar para encontrar um pouco de "paz".

- Paz... Se ele voltasse logo, eu a teria mais uma vez por uns instantes... - comentava ao trocar de roupa, sabia que ele ia voltar, mas ia demorar um pouco.

O limbo era um estágio conhecido dela, não estava completamente triste e nem completamente alegre. Ouvia constantemente a mesma música e um dia foi trocada sem ela notar. Ela a escutou pela primeira vez enquando se balançava embaixo de uma arvore num parque que foi após a aula.

A letra era mais ou menos assim:

Eu não quero ser a garota que ri mais alto
Ou a garota que nunca quer estar sozinha
Eu não quero ser aquela chamada às 4:00 da manhã
Porque você sabe que eu sou a única no mundo que não vai estar em casa

Ahh, o sol está cegando (me cegando)
Eu me levantei novamente
Oh, eu estou me encontrando
Esta não é a forma que eu quero que minha história termine

Eu estou segura lá em cima, nada pode me tocar
Porque eu sinto que esta festa acabou?
Nenhuma dor por dentro (interior), você é como proteção
Mas como eu me sentirei tão bem sóbria?

Eu não quero ser a garota que tem de preencher o silêncio
O silêncio me assusta porque ele diz a verdade
Por favor, não me diga que tivemos aquela conversa
Eu não me lembro, guarde o seu fôlego
Porque, qual é o uso (o motivo, ou, de que vai adiantar?)

Ahh, a noite está chamando
E ela sussurra para mim calmamente (docemente), você se culpa demais
Eu escuto você caindo
E eu me deixo ir, eu sou a única que deve ser culpada (que deve ouvir a culpa, se sentir culpada)

Eu estou segura lá em cima, nada pode me tocar
Porque eu sinto que esta festa acabou?
Nenhuma dor por dentro (interior), você é como perfeição
Mas como eu me sentirei tão bem sóbria?

Indo para baixo, para baixo, para baixo
Girando ao redor, ao redor, ao redor
Procurando por mim mesma, sóbria

Quando isso está bom, então está bom
Tudo está bom, até que fica mau
Até que você tente encontrar aquilo que teve uma vez
Eu me machuquei, chorei, nunca mais
Quebrada (para baixo) em agonia
Apenas tentando encontrar um amigo
Oh

Encaixava-se com no momento dela... Lá estava ela, tão alto no balanço que ninguém podia tocar nela... E láa ela teve um insinting...

Novos sentimentos afloram


Em alguns meses, essa era a primeira vez que Phantom Lady acordava radiante como no passado. Sim, o dia anterior foi perfeito, o encontro e a comemoração do aniversário da amiga e o seu irmão em casa, tudo como ela queria e imaginava. "Finalmente as coisas estão melhorando" pensava com um sorriso no rosto, parecia, até, que sua pele melhorou da noite para o dia.

Ainda o sentia nos lábios, podia sentir o perfume dele no seu corpo, seus sussuros ainda ecoavam na sua mente, podia sentir as mãos dele percorrendo o corpo dela. Sim, ela estava feliz, amando alguns diriam, mas ela sabia que não estava amando ainda. Não, ela ainda não era capaz de amar outra pessoa ainda, mas adorou os momentos que passou com ele e gostaria de repeti-los o mais rápido possivel.

Sentada na cama, ela deixava a cabeça tombar para trás de olhos fechados revivendo os momentos do dia anterior, tão perfeitos, tão sublimes, tão surreais...

Levantou-se e olhou-e no espelho e lá viu o que nunca mais havia visto... Seus olhos estavam cor de mel.

Um outro dia, mesmos sentimentos


Phantom Lady teve um sono em pedaços, fazia alguns dias que "magoara" uma pessoa.
Hoje... Ontem, nem ela sabia ao certo, havia magoado três pessoas, dois rapazes e uma moça, "passei da minha cota da semana" sisse a si mesma; os rapazes eram seus amigos, já a moça... Era ela mesma, a única pessoa que ela não devia magoar... ELA MESMA.

Agora, as lágrimas que ardiam outrora corriam livres pelo seu rosto, a solidão se apoderava do seu pobre e pequeno coração. Ela observava as veias azuis de seus pulsos, passava, delicadamente, o dedo sobre elas, acompanhando o desenho que elas faziam... "Não de novo" dizia ela internamente ao se deparar com aquela cicatriz... Fazia tantos anos desde aquele dia que ela acreditara ter apagado da memória...

O baixo e a bateria da mpusica que ouvia fez com que seu coração tenter-se acalmar-se, apesar do som pesado cantado em alemão. Nesse momento ela desejou um cigarro para abreviar sua vida em cinco minutos, depois mais cinco...
- É simples, fácil e me mata aos poucos - disse em voz alta, mas ninguém a ouviu. O vocalista da banda que ouvia repetia a frase "Du Riechst So Gut", ela não sabia o que significava, mas berrar essa frase ajudava a espantar a tristeza... Tristeza, esse podia ser seu segundo nome...

"A quanto tempo não consigo sorrir de verdade?" pensav ela... Todos aqueles sorrisos falsos, só os olhos negros a denunciavam... "Olhos que mudam de cor... Pfff" zombou de si... Mas ela sabia que era sério, eles mudavam de cor, e, infelizmente, ela não sabia qual era o tom mais claro que eles ficavam...

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Du reichst so gut quer dizer Seu cheiro é tão bom em alemão.

Pensamentos Avulsos


"Porque as pessoas têm que sonhar com coisas impossiveis?" pensava Phantom Lady deitada, no escuro, olhando para o teto. Ela sentia um nó se formar na sua garganta e as lágrimas queimarem nos seus olhos mas não saiam. "talvez essa música francesa estja me fazendo pensar demais.." pensou mais uma vez.

A vários dias seus olhos estavam negros como ébano. A última vez que havia dormido bem foi quando reencintrou um amigo que havia sido "criado" com ela, ele sabia seu verdadeiro nome, para ele, ela não era Phantom Lady... Deitada, ela imaginava situações com diversos homens diferentes chegando na sua casa, flando com seupai e ela se via correndo para abraça-los... Uma dor no peito a tomava toda vez que ela chegava nesse ponto, queria que as situações fossem reais, ela sentia-se só, parecia, até, que seus únicos companheiros eram os livros como foi outrora.

Sentou-se na cama, acendeu o abajur e olhou seu esmalte descascado, pensou no rapaz que havia conversado e no outro que havia dado uma bronca... O primeiro lhe parecia interessante e o segundo infantil... "Onde estou com a cabeça?" pensou, quis ligar pra um terceiro, mas já era tarde e ele devia está dormindo... Algo que ela também deveria está fazendo...

E seus olhos mudam de cor...



Phantom Lady acordou sentindo-se bem... "Como é boa essa sensação, fazia muito tempo que não a sentia." pensou olhando para seu irmão que dormia na cama ao lado. Haviam conversado bastante, fizera ela esquecer determinadas coisas e lembrar outras, mas ela não importava-se com esse fato. Havia contado a ele que sempre acreditou nele, mesmo ele massacrando o coração dela. Ela não contou tudo, seria "entregar o ouro" como dizia sua mãe... Daria a vida por ele mesmo sabendo que ele não daria a vida por ela. Ela também faria isso por... Sacudiu a cabeça para apagar essa memória, "é melhor não mexer nisso..." pensava, achava melhor assim, desse jeito não doía tanto. Ainda sentia dor, mas não sofria como antes, fazia tempo que não sofria, a dor a consumia.

Deitada, observava o sono solto do irmão... A quantos anos ela não observava aquela cena? Ele, apensar de mais velho, parecia uma criança que ela deveria proteger... Sentia falta da presença do irmão na casa, não tinha com quem conversar determinadas coisas. "Porque você sumiu todos esses anos?" falou em voz alta, seu irmão se mexeu e ela se calou. Resolveu levantar-se para checar a cor dos olhos, tinha transformado isso num hábito, apesar deles não terem mudado de cor com tamanha frequência, mas mesmo assim ela checava. Hoje, ela podia perceber o que era pupila e o que era íris, era um castanho madeira bonito. "Não mudou muito, mas pelo menos vejo que tenho pupilas...", tomou banho e se preparou para o café da manhã, antes de ir olhou mais uma vez o irmão, ele despertara e a olhava com seus olhos ainda cansados.
- Bom dia! - disse ela, ele apenas acenou com a cabeça, ainda estava dormindo.

Ela comeu pouco como de costume, se preocupava com isso, estava muito magra. Iria compensar no almoço e no lanche da tarde, dizia a si mesma sabendo que não compensaria. Talvez, se o irmão não fosse trabalhar naquela tarde, sairía com ele, cinema, algumas lojas, sairía de casa. Sua mente desejava ir para dois locais, ambos que ela não sabia se iria um dia ou não.
- Você parece feliz, teve uma boa noite? - perguntava o irmão sentando ao seu lado na mesa, ela não havia notado que ele chegara.
- Tive sim e você? - ela queria contar a ele que alguém dormiu abraçado com ela, mas ele iria a chamar de louca, assim como tantas outras pessoas. Conversaram um pouco, ele iria trabalhar na tarde e ela iria ao cinema só, como sempre, "se ao menos ele..." ela impediu o pensamento. Se ela terminasse ele iria sentir dor.

Sairam juntos de casa, ela e o irmão, só se separaram na parada de ônibus, ela iria para o centro e ele para o subúrbio. Antes de sair, ela checou seus e-mails, seu amigo havia escrevido, ela estav com saudade dele, sempre cuidando dela mesmo longe. "Queria está aí para cuidar corretamente de você" escrevera, ela também queria isso, todos os dias ele dormia abraçado com ela... Trazia paz para o coração, algo que ela não sentia a algum tempo. Mesmo que não fosse real aquele abraço, ela sentia. Escreveu uma resposta rápida dizendo que também desejava isso e que sentia falta de ouvir a voz dele.

Ela foi ao cinema... Viu o filme, era bom, mas ela estava só. Ouvia, nos seus fones a sua música favorita do Palcebo que dizia:
"Tem tanta raiva para os que nós amamos?
Me diga, nós nos importamos, não?
Você, correndo colina acima
Você eu, correndo colina acima.
Você e eu não seremos infelizes."

Voltou para casa onde teve uma surpresa...

Phantom Lady... Seu dia...


Ela acordou com o barrulho irritante do despertador... "Putz, já é essa hora?" Pensava ao tentar desligar o aparelho. Não queria levantar-se, havia tido uma noite complicada, cheia de pesadelos... "Pesadelos são apenas ilusões, assim como os sonhos..." Pensava, ao abrir a janela. O céu era de um azul lindo, mas ela só via as nuvens cinzas que se formavam ao norte, "vai chover e eu não tô afim de levar mais peso na minha bolsa" pensava.

Estatura mediana, magra, até demais como ela própria diria, tinha aparência de frágil mas era mais forte de que se pensava, lutava constantemente com sua têndencia depressiva, não usava roupas brancas, as negras eram suas favoritas. No seu microsystem estava, sempre, um cd do Motörhead, com Lemmy e sua voz rouca dizendo que a única maneira de ouvir barulho é quando ele está em alto e bom som... Agora ela entendia essas palavras, e por mais que as pessoas acreditasem que a voz daquele homem barbudo e com uma verruga enorme era feia, ela a acalmava de um jeito inexplicável. Assim como... Ela sacudiu a cabeça afastando pensamentos, tinha que tomar banho se não se atrasaria para a faculdade que ela achava que não pertencia. Não era O curso dela, não era A turma dela, não era A vida que ela queria.

Seus olhos, quase negros, pareciam mudar de cor de acordo com a noite, se ela tivera pesadelos eram negros, se não tendiam ao castanho escuro, mas já haviam chegado perto da cor de mel. Sua pele ficava mal alva a cada dia, não iria chegar ao tom de mármore ou algo parecido, ela tinha uma beleza... Cadavérica, como havia dito um amigo uma vez. Ela não se importava com isso. Tomou seu banho, cuidou do seus cabelos cacheados e muito escuros que mudavam de cor de acordo com seu gosto, olhou nos olhos pelo espelho... Estavam megros que nem uma noite sem luar e estrelas, "a noite foi difícil, muito difícil" pensou.

Trocou-se, usou seu perfume normal, fraco porém marcante. Pegou sua bolsa e saiu do quarto, sabendo que teria que tentar comer algo, mas não sentia fome, aliás, a muito tempo não sentia fome, não esse tipo de fome. Ela ainda andava entorpecida pelos ocorridos, mas ela não falaria nada. Sentou se a mesa, falou com a mãe e se "fartou" com um copo de vitamina, mas do que isso ela vomitaria, seu estômago acostumou-se a comer pouco. Ainda fez hora, viu um pouco de tv antes de pegar seu celular ou MP4, selecionar a música e botar seus fones e sair de casa.

Música era a sua vida, assim como seus livros... Eles nunca haviam traído ela e nunca traíriam, pessoas faziam isso, ela não confiava mais nelas, mas era obrigada a conviver com elas. Poucas mereciam a confiança dela, contava-se nos dedos das mãos... Andando embalada por Gallon Drunk dizendo que o levasse para longe mais uma vez, ela pensou nele... Infelizmente ainda não haviam se visto pessoalmente, mas ele cativara ela pelo computador... "Provavelmente, ele está indo dormir agora... Deve ter ficado acordado a noite e a madrugada toda" pensava. Ela gostava dele, mas tinha medo de apaixonar-se e não poder te-lo.

Fazia sol e ela fugia dele, preferia a chuva, acalmava os pensamentos mais facilmente. Apesar do sol forte, mesmo para o horário, ela estava fria... Entorpecida ainda, ela sentia que poderia cortar sua pele em vários locais e nenhuma gota de sangue cairia e em alguns instantes estaria com os cortes cicatrizados. "Você tem sérios problemas e você sabe disso, então se controle!" pensava ao olhar para os cacos de vidro no chão. Vivia em eterno conflito na sua mente, várias vozes falavam com ela e não sabia quem ouvir, havia dias que chegava ao ponto de tapar os ouvidos tentando não ouvir mais nada... Em vão.

Ela tinha um segredo, o qual nem ela sabia... Só sentia que era difícil conviver com as pessoas ditas normais. Desejou desesperadamente fazer o que a música de Gallon Drunk dizia, ir embora para longe, muito longe.

Na faculdade era sempre a mesma coisa, ver aula, não comer, ficar com uns amigos, pessoas que ela se sentia bem e conviver com as pessoas que não se dava. Para esses casos sempre tinha a mão um livro, não saia de casa sem um na bolsa... "A boa e velha sindrome do Caramujo eim?" Sempre pensava quando olhava sua bolsa. Ficava contando os segundos para as aulas cabarem, mesmo sendo em um horário que ela preferiria nunca sair de casa, achava bom poder voltar para a casa dela, para seu computador, ela falaria com ele e se sentiria bem.

Dormiria por algumas horas, se recuperaria de ter andado no sol... Seu dia era chato, comparado com o que as pessoas normais fariam, ela gostava as vezes. Queria aventura e ela teria muito em breve...