Angelique e suas Facetas

A história de Angelique e suas muitas facetas...

"Eu quero saber se você já viu a chuva..."


Sentada em um banco na faculdade, Ellen lia um revista sobre teorias da conspiração com seus grandes óculos escuros e seus fones de ouvido berrando algo que nem ela mais sabia ser. Ventava, como ventava, seu cabelo castanho com partes loiras voava junto com sua revista, mas ela insistia em ler.

Em um dado momento, onde não estava mais concentrada nem na sua leitura e nem nas músicas, resolveu ouvir a canção do vento. Uns chamavam aquele som de zumbido, outros de barulho, ela chamava de canção, onde contava uma antiga história, a história de uma garota que tinha um grande coração e que queria alguém que não a queria. Esse alguém estava confuso, mas dizia que não a queria, tinha medo de iludi-la e magoa-la, mas no fim fazia exatamente o que temia.

Ellen prestava atenção aquela história com lágrimas nos olhos, era tudo tão real, como as outras pessoas não conseguiam escutar? Como as pessoas não paravam para prestar atenção nas lições do amigo vento? Ela fechava os olhos, algumas lágrimas caíam e outras ficavam, devagar abria um sorriso e depois voltava a ficar séria. Já não se importava se seu cabelo voava e se sua maquiagem, feita com tanto esmero naquele dia, estava borrada por conta das lágrimas, apenas queria saber o que aconteceria com aquela garota.

O vento lhe dizia que a garota sofria, pois gostava dele, mesmo dizendo que não ela gostava dele, e ele também nutria algo por ela, mas estava confuso, não sabia o que nutria, não sabia se era a mesma coisa que ela nutria ou era algo diferente. Ellen sentia pequenos pingos baterem no seu rosto, não eram lágrimas... Ao abrir os olhos viu que começara a chover, uma chuva fina. Os fechou novamente para saber o fim da história.

A garota estava magoada, pois queria o rapaz e ele se afastava, até que uma hora ela viu que tinha que seguir em frente, estando com ele ou sem ele, precisava trata-lo como ele a tratava, mesmo que isso machucasse o coração dela, precisava viver. E ela nos primeiros momentos sofreu, machucou a pele em busca de um alívio, um alívio que era tão rápido que ela precisava se machucar mais uma vez para sentir a sensação... Depois tudo melhorou, tudo ficou mais leve, até que um dia ela já estava livre. E quando isso ocorreu, ele voltou e pediu desculpas e disse que havia descoberto o que sentia por ela...

Ellen abriu os olhos misturando as lágrimas no seu sorriso, e viu um belo arco-íris e notou que a garota da história que o vento contava era ela e que tudo daria certo, era só esperar a chuva passar e o arco-irís iria aparecer.

Num dia de chuva...


A música enchia o ambiente, a pequena garota a cantava afinada e dentro do tempo, nem parecia que havia perdido a voz semanas antes. Movia-se com a destresa de uma bailarina russa, era mais leve que um pluma. Acompanhava o ritmo marcado com seus passos, numa dança sem nome, dançava com o coração.

A voz dela parecia o canto dos pássaros, mas no fundo do seu peito guardava dúvidas e dores. Estava um tanto confusa, mas isso iria resolver-se mais cedo ou mais tarde. Nem que ela tivesse que fazer isso com as próprias mãos, não queria suja-las, mas se tivesse que fazer isso iria fazer.

Olhava pela janela, via os pingos de chuva e desejava ter alguém lá com ela para abraçar, beijar e fazer carinho... Não tinha ninguém assim perto dela, além de seus amigos e amigas, mas ela queria alguém, não para algo sério e sim para não ficar só...

A música que cantava encaixava-se perfeitamente no momento... Por assim dizer...

Hoje você me deixou
Quer dizer
Hoje você me deixou de novo
Depois a gente volta
Sempre voltou
Você voltou
Voltou sempre que me deixou
Mas há sempre algo que se lasca
Que se acaba
Uma magia que se estraga
Uma vela que se apaga
Aos poucos
Um abalo que um dia, talvez, não dê mais jeito
Uma ofensa que, talvez, desta vez, não dê conserto
E então chega um dia em que eu não te reconheço
Um dia que não vem depois do outro
Uma certa noite
Fora do tempo
E então um dia eu não me reconheço
E quero o que eu nem sabia
Que era isso que eu queria

Uma noite tão quente como essa
Pode ser um novo começo
Poder, querer, ser
Sem ter você

Se você não me quer mais
Eu quero me perder

Se você não me quer mais
Eu quero te perder

Se você não me quer mais
Eu quero

Que o fogo que vem de baixo
Seja fogo negro, intenso
Um fogo sem descaso
Pra me queimar em silêncio
E então finalmente eu me esqueço
E me entrego
Você é quem me dá tudo quente e espesso
Que me dá tudo que eu mereço
E não me nego
Então eu danço
Danço

Uma noite tão quente como essa
Pode ser um novo começo
Querer, poder, ter
Sem ser você

Se você não me quer mais
Eu quero me perder

Se você não me quer mais
Eu quero te perder

Se você não me quer mais Eu quero.

Ela bailava e cantava... Encaixava-se perfeitamente...

A história de Joy


Meu nome é Joy e venho aqui contar a minha história.

Sempre fui feliz e doce, tenho olhos azuis que nem duas safiras... Há dez anos atrás conheci um homem... Foi paixão a primeira vista, nos casamos na primavera. Não sabiamos o que um pouco de amor e felicidade nós traria. Ele gostava de me observar cantando enquanto fazia minhas tarefas, seus olhos eram doces e cheios de amor...

Um dia algo mudou, passei a me sentir triste e só, queria morrer, não entendia isso, estava tão feliz com ele, eu o amava... Um dia de madrugada ele acordou e me viu chorando e foi assim em vários dias seguidos, Alegria só se encontrava no meu nome, não tinha mais nenhum sentimento bom e alegre na casa... Parecia que eu estava prevendo algo... Ele ficava cada dia mais preocupado...

Apesar disso, tivemos três filhas, três lindas crianças, o nome delas era Hilda, Hattie e Holly. Apesar de termos três pequenas crianças, a casa não tinha risos ou coisa parecida... "Com uma mãe como ela, não é de se admiriar..." comentavam as pessoas na rua... Não sabia o que estava passando comigo, estaria eu prevendo algo?

Um dia, enquanto meu marido, que era médico, estava fora, recebemos a vista de um estranho... Esse foi meu último dia...

Fui amarrada com uma fita elástica e amordaçada. Fui esfaquiada diversas vezes e meu corpo sem vida foi posto dentro de um saco de dormir em cima da minha cama. Ele fez mesma coisa com as meninas, tirou a vida das minhas pobres meninas, se fosse apenas eu... Não o conhecia, nunca havia visto, por isso não sei o real motivo dele ter feito essa mosntruosidade. Quando meu marido chegou, meia noite, e viu aquele mar de sangue, ligou desesperado para polícia e disse:
- Tiraram quatro vidas inocentes!

Nunca o apanharam, e pelo que se soube, ele atacou novamente várias e várias vezes, citando sempre John Milton com o sangue das vítimas, com o meu e das meninas escreveu "sua mão direita avermelhada" do livro Paraíso Perdido... Até parecia que estava prevendo que morreria...

Meu marido deixou a nossa casa, enlouqueceu e hoje vaga pelas terras desconhecidas, tentando entender o porquê...

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Texto inspirado na música "Song of Joy" de Nick Cave and The Bad Seeds

Mais uma missa...


Judy não se sentia bem. Estava lá, no banco da igreja, hoje, um pouco mais cheia. Em sua mão estava um pedaço de papel higiênico molhado por suas lágrimas... Judy não estava bem, estava com dor... Uma dor que vinha de dentro do peito, mas ela não sabia a origem, ou até sabia mas se enganava.

Cada nota do hino da Igreja fazia com que ela enchesse os olhos de lágrimas. Ele dizia:
Tu te abeiraste na praia. Não buscaste nem sábios, nem ricos. Somente queres que eu te sigas...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.
Tu sabes bem que em meu barco, eu não tenho nem ouro, nem espadas, somente redes e meu trabalho...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.
Tu, minhas mãos solicitas, meu cansaço, que a outros descansem, amor que almeja seguir amando...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.
Tu, pescador de outros lagos, ânsia eterna de almas que esperam, bondoso amigo, assim me chamas...
Senhor, tu me olhastes nos olhos, a sorrir, pronunciaste meu nome, lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti, buscarei outro mar.

Ela chorava por algo ou alguém... A bruxa poderosa havia se dobrado de dor, a bruxa forte estava fraca. Parecia que havia perdido os poderes por alguns intantes... Havia tirado sua pedra a uma semana e a uma semana as coisas não estavam dando certo... Poderia ter alguma ligação... Ou não.

Não queria chorar perante a sua mãe, isso iria preocupa-lá e não queria isso. Já estava preocupando bastante suas amigas, elas estavam mostrando que eram realmente amigas, e elas estavam tentando fazer com que ela ficasse bem e ela visse que não valia a pena tudo aquilo.

Ela olhava as novas cicatrizes adquiridas na manhã da quarta ou quinta, ela não sabia, estava tudo igual... Havia se cortado, havia tanto tempo que não fazia isso que esquecera a sensação ruim que trazia.

As suas expectativas haviam se confirmado... A desgraça havia acontecido e ela ficou feliz pois a pessoa viu o quanto ela faz falta... Mas agora, ela estava só novamente...

Carta a Ninguém vol.2


Lugar Nenhum, O dia depois do Apocalipse

Leia e compreenda

A preocupação que eu tenho pelas outras pessoas seria, numa tentativa frustrada, de consegui uma vaga no paraíso, digo frustrada pois não acredito em paraíso ou inferno. Para mim, não existe bem absoluto e nem mal absoluto. Me preocupo, pois gosto das pessoas... Na verdade, só me preocupo com quem gosto, seria minha tentativa de que as pessoas me compreendessem e se preocupassem comigo? Ou seria algo mais subliminar? Seria a busca da minha proteção?

A única coisa que eu sei é que, uma vez experimentada uma sensação que você não sentia a muito tempo, deseja, desesperadamente, senti-lá novamente. Comigo foi assim e agora não sei se a sentirei novamente... Ando deprimida, sentindo que serei escantiada... Ok, isso pode ser apenas ilusão da minha mente, mas é o que me parece. Estou carente e preocupada com alguém, esse alguém diz que sente minha falta e que gosta de mim, mas, diz que, no momento, não tem clima...

As vezes, nobre estranho que ler essas tortas linhas digitadas, sinto que não serei feliz ao lado de alguém, pois sempre que começo a gostar da pessoa ela me deixa ou me magooa ou eu a magoo... Me pergunto, desesperadamente, qual é o meu problema e a resposta vem de um amigo que me diz que não tenho nenhum problema e que o problema está nas outras pessoas que não se encontram preparadas para alguém como eu. Alguém como eu... E como seria uma pessoa como eu? Psicologicamente pertubada? "Melodramática"? Que se entrega rapiddamente a um sentimento que nem sabe se vai pra frente? Alguém que espera os sonhos acontecerem? Uma menina que acredita que milagres acontecem?

Minha vida parece ter tomado o ritmo da Valsa da Lua... Lenta e acelera e volta a ser lenta, forte e doce... Vivo um inferno ou um céu, depende da sua referência... Para mim, lembra um dos círculos de Dante, é como se o sétimo selo tivesse sido rompido... Mas do fundo do poço não posso passar...

Poena par sapientia... Poena par sapientia... A dor equivale a sabedoria...

Amanda

A pequena Suzy


Em algum lugar da casa tocava uma música que dizia assim:

"Bem, espero que não me apaixonar por você
Porque a queda no amor só me faz azul,
Bem a música toca e você mostrar o seu coração para mim ver,
Eu tinha uma cerveja e agora eu ouvi você me chamar para fora para
E espero que não me apaixonar por você.

Bem, a sala é lotada e não há pessoas em todos os lugares
E eu estava pensando, devo oferecer-lhe uma cadeira?
Bem, se você sentar-se com este velho palhaço, ter que olhar severo e quebrá-lo,
Antes da noite ir embora, penso que poderíamos fazer isso,
E espero que não me apaixonar por você.

E eu espero que você não se apaixonar por mim ..."


Suzy a cantava com o coração, não queria se apaixonar por ele... Mas já estava gostando dele, ela estava cansada, queria ir a algum lugar, mas não existia esse lugar, só queria ficar pertinho dele, senti o perfume e o calor da pele... Ela só queria se sentir bem.


Olhava para as paredes desbotadas, pensava e pensava, deveria esperar uma posição ou deveria agir? "Deveria ficar ou deveria ir?" Dar tempo ao tempo... Não aguentava mais fazer isso, já havia feito antes várias e várias vezes, nenhuma delas adiantou... "Nunca adianta, sempre acabo ferida" pensava Suzy. Seus únicos amigos eram seus livros e seu computador.


Ela suspirava, pensava loucuras e sempre que fazia isso olhava para o seu braço, estava completamente marcado, suas unhas grandes causaram um certo estrago nele, grandes vergões saltados e vermelhos, pequenos pontos de sangue... Pontos que ela queria que aumentassem, que sangrassem e assim levassem a dor com o sangue. Suzy só queria poder fechar os olhos e acordar daquele pesadelo de dor onde havia se metido, se metido sem a mínima consciência, ela apenas havia saído com uma cara que ela achou interessante e agora estava sofrendo mais uma vez.


"Espero que ele goste de mim também... Ele é... Especial" dizia a si mesma, enquanto andava pelo seu quarto, tentando arrumar. O inceno que acenderá estava chegano ao fim, o cheiro a deixava num estado de leveza e ao mesmo tempo ainda tinha os pés no chão, aliviava a sua dor, mas não completamente. Queria correr, queria chorar, queria ele, queria morrer. Não, morrer não era uma solução, isso poderia ser apenas uma crise passageira... Ou não...


A mente de Suzy era um turbilhão, ouvia reclamações todos os dias, ouvia coisas boas de alguém, existia ele e existia outro... Não tinha onde ir, o único local que podia ficar era em casa e ela não queria ficar nela... A música havia mudado várias vezes e ela nem havia notado Agora dizia que o amor iria os separar de novo... Love will tear us apart again...


Queria perguntar tudo, mas hesitava, tinha medo... Medo de ser invasiva demias e de ouvir o que não quer.


Chegava, agora, aos seus ouvidos as seguintes palavras:
"
Venha mais perto e veja
Olhe nas árvores
Procure a garota
Enquanto você pode
Venha mais perto e veja
Veja na escuridão
Apenas siga seus olhos
Apenas siga seus olhos
Eu ouço a voz dela
Chamando meu nome
O som é profundo
Na escuridão
Eu ouço a voz dela
E começo a correr
Para dentro das árvores
Para dentro das árvores
Para dentro das árvores
De repente eu paro
Mas eu sei que é muito tarde
Eu estou perdido na floresta
Totalmente sozinho
A garota nunca esteve lá
É sempre a mesma coisa
Estou correndo para o nada
De novo e de novo e de novo e de novo"


E ela adormeceu em sua cama bagunçada, exausta de tanta dor e pensamentos...

Carta a Ninguém


Lugar Nenhum, um dia qualquer.

Apenas leia, não emita nenhuma opinião (ainda)

As pessoas me perguntam porque penso tanto, porque me preocupo tanto com os outros... Sinceramente, não sei. Penso muito pois é da minha natureza, pensar faz com que eu me sinta bem, faz com que eu seja eu. Já me preocupar, deve vim da minha carência, da necessidade de alguém junto comigo, e, creio, que me preocupando com outra pessoas, ela fará o mesmo comigo... Talvez, isso, se pura ilusão minha... Mas eu já nem me importo mais com minhas ilusões, elas têm me salvado tanto de uma realidade burra.
Sabe, ando cansada de receber reclamações por algo que não tenho culpa, por ligar para alguém de quem gosto e alguém não gosta. Peço que alguém me dê um tiro na cabeça e me poupe de toda essa ladainha que já conheço e não tenho a mínima culpa.
Também ando cansada de me sentir só, de todos os dias me deitar na cama e spo ter um bicho de pelúcia como compania, sinto falta de um abraço, de um afago, de uma palavra amiga... Uma vez que você experimenta essas sensações não quer mais parar de senti-las. Não quero ser trocada novamente, não quero nada sério, agora, mas, também não quero ficar só... Já passei muito tempo só e sei o que digo.
Sinto muito medo, medo de ser trocada por alguém que não é nem um terço do que sou, medo de ser, novamente, uma bonequinha que você usa e joga fora, de ser, mais uma vez, um pedaço de carne, medo de causar problemas a pessoa que está comigo, medo de me apaixonar e me machucar de novo.
Estou ficando com um cara que disse que não sabe se nos veremos essa semana porque está com a cabeça cheia... Eles diz que não é nada comigo e que isso foi por conta de uma conversa que ele teve com uma velha amiga... Eu sei que o decepcionei (apesar das pessoas dizerem que não) e decepcionei a mim. Gosto de ficar com ele, é uma sensação boa e ele é o primeiro cara que topo me entregar depois do fim do meu namoro. Primeiro cara real, pois existe um virtual, mas parece-me que esse enlouqueceu. Ele disse que não o quero e que o enrrolo pelo simples fato de não ter ido atrás dele, de não ter tirado, sabese lá Deus de onde, 400 reias para pagar a minha passagem para encontra-lo... Mas a mim, ele não vem ver... A mim ninguém quer... Ninguém realmente quer. Querem só o corpo e o que aparenta ser... Mas não querem a essência.
Esta é minha confissão e aque estou eu, sentada em um banco competamente só, tentando matar o tempo, esperando ele ligar e dizer que tudo passou e que quer me ver... Essa é a minha confissão e ficarei, como sempre, esperando alguém que venha me salvar da minha solidão e esse alguém não precisa de armadura, espada e um cavalo para fazer isso, basta apenas sentar ao meu lado, sorrir e conversar comigo... Apenas ser a pessoa...

Amanda